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O que há de extravagante na notícia que inspirou o escritor?

Leia o texto para responder as questões 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07 e 08.


Os livros como paixão


Ninguém compreende minha paixão por livros, suspirava ele. E era uma grande paixão: o pequeno apartamento em que vivia estava literalmente atulhado de romances, livros de contos, obras de autoajuda, textos médicos etc. Não que ele os lesse. Ler era

secundário. O importante era possuir os livros, saber que toda aquela riqueza cultural do passado estava ali, ao alcance de sua mão. A mão que acariciava as lombadas, que folheava cuidadosamente as páginas. O problema é que os livros custam dinheiro. E dinheiro lhe faltava. Aos 85 anos, vivendo de uma modesta aposentadoria, o ancião não podia dispender muito em livrarias. Por isso roubava. “Roubo”, aliás, era uma expressão que lhe desagradava; preferia falar em algo como “redistribuição da riqueza intelectual”. Mas o eufemismo não o ajudava muito. Nem as mãos trêmulas, nem a lentidão.

Cada vez que ia roubar um livro, deixava cair uma pilha inteira no chão. Mais do que isso, não sabia disfarçar: os bibliotecários sabiam quando ele estava roubando. Pediam-lhe as obras furtadas de volta e, justiça seja feita, ele nunca se negou a fazê-lo. Era parte de um jogo, um jogo que ele adorava, e cujas regras sempre respeitou.

Infelizmente, porém, os bibliotecários cansaram deste jogo. E um acordo entre eles resultou em uma decisão: o homem agora está proibido de entrar na biblioteca. Não adianta ele dizer que quer apenas consultar os jornais. Não adianta também dispor-se a ser revistado. A paciência dos responsáveis simplesmente terminou.

Resta-lhe refugiar-se em seu sonho. E que sonho é este? Ele sonha que um dia vai ganhar muito dinheiro – num cassino ou numa loteria. E aí comprará uma antiga e grande biblioteca – que será só dele. Ninguém mais poderá frequentá-la. Só ele, ali irá todos

os dias.

Belo sonho, consolador sonho. O único inimigo desse sonho é o tempo. Com 85 anos, quanto mais ele poderá esperar pelo cassino ou pela loteria? O tempo é um implacável ladrão. E não tem nenhuma paixão pelos livros.


(Moacyr Scliar – Adaptado)

O que há de extravagante na notícia que inspirou o escritor?


A

A ideia de ninguém compreender aquela paixão exagerada, do idoso, pelos livros e também, o fato de seu pequeno apartamento estar abarrotado de livros literários.


B

O fato de relatar a proibição da entrada de um senhor de 85 anos em bibliotecas da Califórnia, por tratar-se de um ladrão de livros. A idade do “delinquente” e o alvo de seus furtos.


C

A ação de o senhor roubar um livro e deixar uma pilha inteira cair no chão, e além disso não conseguia disfarçar.


D

A comprovação de que a leitura dos livros não era tão relevante, afinal, era secundária. O importante mesmo era ter livros e mais livros.