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Leia o poema para responder às questões de números 08 a 10.
Da calma e do silêncio
Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas.
Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.
Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.
(Conceição Evaristo. Poemas da recordação e outros movimentos. Rio de Janeiro: Malê, 2017)
O emprego do acento indicativo de crase está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa em:
O silêncio da poesia é capaz de chegar à mundos submersos.
Não neguem à minha vontade de quedar-me na aparente inércia.
Não me forcem à acelerar a minha marcha.
Não estranhe se o meu olhar se dirigir à coisas ínfimas.
Irei à estrada que leva para o interior de mundos submersos.