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Assinale a alternativa correta.

Leia o texto.


Talvez espante o leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa, e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! que desabafo! que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lantejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não temos mais vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há plateia. O olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que piscamos para o território da morte; não digo que ele se estenda para cá, e nos examine e julgue; mas a nós é que não se nos dá do exame nem do julgamento. Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como o desdém dos finados.


Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.

Assinale a alternativa correta.


A

Na frase sublinhada no texto, a expressão “o leitor” é o núcleo do sujeito simples.


B

Pela última frase do texto infere-se que não há nada tão insignificante quanto à altivez de quem morre.


C

Em: ... “com que lhe exponho e realço a minha mediocridade”, a palavra sublinhada é um objeto indireto.


D

Na frase: “a franqueza é a primeira virtude de um defunto”, temos um predicado verbal, já que “ser” é verbo de ligação.


E

Observe a frase: “não há plateia”. Se ela fosse escrita no passado e no plural, teríamos: “não haviam plateias”.