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Longo caminho
Referência em acessibilidade nos Jogos de Londres, a britânica Emily Yates se viu numa via-crúcis, com sua cadeira de rodas durante a passagem pelo Rio, no mês passado. Para sair dos hotéis onde se hospedou, invariavelmente contou com a ajuda de funcionários, que colocavam uma rampa nos degraus de entrada e ainda a auxiliavam na descida. Pegar táxi foi outra dificuldade frequente. Em geral, os motoristas recusavam a corrida porque o porta-malas do veículo era ocupado com o tanque de gás e não havia espaço para carregar a cadeira de rodas. Na avaliação de Emily, que está escrevendo um guia de turismo acessível sobre o Rio com vistas ao ciclo olímpico de 2016, ainda há muito por fazer nesse terreno. “A cidade tem muito a melhorar em acessibilidade. Mesmo quando há rampas, elas são terríveis”, afirma ela, para depois atenuar: “Mas é impressionante a amabilidade do carioca, sempre com um sorriso oferecendo ajuda. Não fiquei desamparada em nenhuma situação”.
Paraplégica desde a infância em decorrência de um problema no cérebro, Emily ganhou notoriedade ao se tornar voluntária na Paralimpíada de Londres. Inicialmente, sua ideia era disputar o torneio de basquete, mas não foi convocada para a seleção e decidiu participar da competição de outra forma. Acabou virando uma porta-voz sobre o tema da acessibilidade. Para seu espanto, o presidente do Comitê Organizador londrino, Sebastian Coe, citou em seu discurso na cerimônia de encerramento um diálogo que teve com Emily, ressaltando que o torneio serviu para “dissipar a nuvem de limitação” das pessoas com necessidades especiais. A referência a encorajou a procurá-lo semanas mais tarde com a ideia de escrever um guia de turismo com ênfase na acessibilidade para quem vem à competição de 2016, que deve trazer ao Rio mais de 4 000 atletas paralímpicos, boa parte deles com problemas de locomoção. Coe aprovou a ideia e viabilizou patrocinadores para o projeto, que já tem garantida a publicação em e-book na Inglaterra pela tradicional Rough Guide. O objetivo agora é conseguir financiadores para editar o livro em papel e traduzi-lo para outras línguas, entre elas o português.
Na primeira etapa da tarefa, em dezembro, Emily fez uma visita de vinte dias ao Rio e pôde avaliar determinados lugares. Além das praias, criticou a falta de infraestrutura para o cadeirante no Aeroporto Santos Dumont e no Trem do Corcovado. Em contrapartida, elogiou os acessos ao Pão de Açúcar. [...]
A Olimpíada é uma oportunidade de ouro para desencadear uma série de mudanças na cidade, da infraestrutura ao comportamento do cidadão. Assim ocorreu na capital inglesa, que revitalizou uma área urbana degradada e incrementou seu transporte público, entre outras benfeitorias. “Londres melhorou muito depois da Paralimpíada. Hoje entro e saio sozinha de qualquer estação do metrô”, diz Emily. [...] Ela planeja voltar depois da Copa do Mundo para dar sequência a sua pesquisa e checar se houve algum avanço. “É uma pena que seja preciso uma estrangeira vir aqui apontar os problemas para que algo seja feito”, diz. “Mas é melhor do que nada acontecer”.
(Felipe Carneiro. in VEJA Rio, 15/01/2014)
Na palavra INFRAestrutura, o elemento destacado significa:
excesso.
afastamento.
concreto.
posição inferior.
posição posterior.