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INSTRUÇÃO: Leia o texto, com atenção, e responda às questões propostas.
HIPNOSE
1_____Um homem de fraque e bigode balança um relógio de bolso na sua frente, repetindo
monotonamente as mesmas frases: “Você está ficando relaxado... Seus olhos estão se
fechando...”. Em poucos minutos, você imita uma galinha, dança mambo ou faz alguma outra
bizarrice na frente de uma plateia – e não se lembra de nada depois. Se é assim a sua imagem da
5 hipnose, você não é o único. A prática milenar ainda tem uma aura mística e é associada por
muitos à submissão ao outro. [...] A hipnose nada mais é do que um estado de alta concentração
mental, no qual a percepção das sensações sofre alterações em níveis variados, sem que o
indivíduo perca a consciência do “aqui e agora”. Na prática, isso significa que: não se fica
inconsciente, lembra-se de tudo o que aconteceu e, mais importante, não se faz nada que não se faria
10 em estado de alerta. A ideia de que basta o hipnotista mandar o paciente realizar alguma atividade
para ele de fato fazê-la é uma falácia: o senso crítico não desaparece, nem os valores morais e éticos.
[...]
Em um estado de consciência modificado – como é o da hipnose –, também os processos
cognitivos são alterados. [...]
15_____Na psicologia, a hipnose é usada no tratamento de fobias, traumas, ansiedade, depressão,
angústia, disfunções sexuais e outros problemas psíquicos. Na medicina, a chamada hipnose
clínica pode ter papel coadjuvante no tratamento de disfunções neuromusculares, doenças
autoimunes, psicossomáticas e no alívio de dores, principalmente as fibromiálgicas (musculares) e
as causadas por cânceres. [...]
20_____No entanto, se as aplicações clínicas da hipnose vêm sendo vastamente estudadas há
décadas, os processos cerebrais que a envolvem eram um completo mistério. Pesquisas nesse
sentido, principalmente nos últimos 10 anos, tornaram possível ter uma melhor ideia de quais
regiões cerebrais são ativadas e desativadas durante a sua ocorrência. Assim, confirma-se uma
dúvida que ainda pairava mesmo no meio científico e acadêmico: a hipnose, afinal, não é apenas
25 imaginação fértil ou atuação teatral. Ela de fato altera os processos bioquímicos do cérebro.
Essa constatação apontou duas direções principais para os estudos sobre o fenômeno: a
primeira, chamada pesquisa intrínseca, busca entender os mecanismos da hipnose e da
sugestão no cérebro para compreender sua atuação. A segunda, denominada pesquisa
instrumental, utiliza a hipnose como uma forma de estudar processos cognitivos específicos, uma
30 vez que o sujeito hipnotizado pode ser sugestionado a ativar áreas isoladas do cérebro.
Provavelmente, não será nos primeiros minutos de uma indução a um estado hipnótico que
você conseguirá alterar seus processos cognitivos a ponto de ter alucinações – como enxergar a cor
vermelha em um quadro azul se assim lhe disserem. Como o sono, a hipnose tem vários estágios de
profundidade. [...] São cinco os níveis de profundidade frequentemente referendados no Brasil
35 para avaliar os estágios do transe hipnótico.
No primeiro, chamado de hipnoidal, as pálpebras do paciente pesam e a respiração fica lenta
e compassada – é o primeiro passo do relaxamento. Em seguida, no nível leve, a sensação mais
perceptível é a de que o corpo está tão relaxado que chega a parecer pesado [...]. No estágio médio,
dependendo das sugestões do profissional, a pessoa pode deixar de sentir certas sensações – como
40 toques, pressões e dores. No quarto estágio, o profundo, essa potencialidade fica mais aguçada.
Nesses quatro estágios, a pessoa hipnotizada pode responder a perguntas e conversar. No quinto
estágio, chamado de sonambúlico, fenômenos de amnésia e de alucinação são observados. Aí, o
fenômeno da anestesia é plenamente possível, mas sem o paciente perder a consciência ou o
controle do que faz. [...]
(Fonte: FRAGA, Isabella. Hipnose. Revista Ciência Hoje, p. 21-23, n. 276, v. 46.)
Em “Você está ficando relaxado... Seus olhos estão se fechando...” (linhas 2-3) o uso das aspas indica
discurso indireto.
citação direta
discurso direto.
gíria.