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Sobre Marte, os drones e vidas humanas
Na missão espacial mais ambiciosa dos últimos
tempos, o robô Curiosity pousou recentemente no
solo marciano, um ambiente inóspito para seres hu-
manos. A imagem da conquista de um planeta longín-
5 quo por uma máquina reúne dois sonhos de ficção
científica — a criação de robôs e a exploração espa-
cial. O robô que pousou em Marte é apenas o exem-
plo mais recente e eloquente de uma realidade que
há tempos já saiu dos livros e filmes para entrar em
10 nosso dia a dia. Há mais de 8 milhões de robôs aqui
mesmo na Terra, em atividades tão distintas quanto
aspirar o pó da sala, auxiliar médicos em cirurgias
delicadas, dirigir automóveis, vigiar as fronteiras e
— em seu uso mais controverso — matar inimigos
15 em conflitos armados.
Na verdade, sem que o percebamos, os robôs co-
meçam a tomar conta de diferentes aspectos da nos-
sa vida. Até que ponto devemos delegar a máquinas
tarefas que consideramos essencialmente humanas
20 ou mesmo a tomada de decisões que envolvem vidas
e valores fundamentais? Qual o risco representado
pelos drones, os aviões que, comandados à distân-
cia, conseguem exterminar o inimigo com elevado
grau de precisão? Que tipo de aplicação essa nova
25 realidade tem sobre a sociedade e sobre a visão que
temos de humanidade?
Tais questões representam um dos maiores de-
safios que deveremos enfrentar neste século. Seria
um despropósito deixar de aproveitar as conquistas
30 da robótica para aperfeiçoar atividades tão necessá-
rias quanto a medicina, o policiamento ou mesmo a
limpeza doméstica. Mas também seria ingênuo acre-
ditar que máquinas ou robôs podem um dia nos subs-
tituir em decisões complexas, que envolvem menos
35 um cálculo racional e mais emoções ou crenças. Para o
futuro, prenunciam-se perguntas mais difíceis, mais
desafiadoras — e até ameaçadoras — do que aque-
las relativas ao uso de drones. Perguntas cuja res-
posta nenhum robô poderá dar.
GUROVITZ, Hélio. Revista Época, 13 ago. 2012, p. 8. Adaptado.
O emprego do acento grave que indica a crase é obrigatório, de acordo com a norma-padrão, no a que está destacado em:
Antes de construir uma hidrelétrica, é importante avaliar a ocorrência de fenômenos climáticos prejudiciais à região.
Aplicar a ciência já adquirida e evoluir para uma nova realidade com respeito à natureza é responsabilidade de todos.
As secas prolongadas dificultam a sobrevivência da população ribeirinha e repercutem no potencial energético da região.
Empreendeu-se a inovadora pesquisa de adaptação de novas tecnologias para a geração de energia.
Eventos climáticos atípicos na Amazônia não causam estragos permanentes, e a vida retorna a situação normal.