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Segundo o gramático Cegalla (1997), o pleonasmo é o emprego...

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder às questões que a ele se referem.


Uma prosa sobre você


1 ___ Tenho a sensação que estamos complicando demais a vida. Claro que a situação no Brasil não está bonita

nem fácil, mas a realidade é o que ela é – não o que a gente gostaria que ela fosse. É com ela que a gente precisa

fazer as pazes, se pretendemos mudar alguma coisa, apesar de todas os nossos desejos e expectativas frustradas.

[...] Tem gente que acha que essa sensação de complicação pode ter a ver também com a densidade que o

5 mergulho pra dentro, na tão propagada busca de autenticidade, propósito e paixão, demanda. Então, para a conexão

eu-comigo-mesma ser realmente verdadeira, tem de haver uma baita fricção. Será que precisa ser assim, sofrido o

tempo todo?

___ Os tempos modernos nos cutucam com inquietações das mais variadas mesmo, mas prefiro acreditar que há

um jeito de abordar o cotidiano, as nossas circunstâncias, aquilo que a gente controla e também o imponderável que

10 faz parte da jornada de cada um, de um modo mais prático – e mais singelo. Talvez seja hora de acionar a

simplicidade como recurso para a resolução de antigos problemas tanto quanto para a criação de novas

possibilidades. Talvez seja possível olhar para o que nos acontece de um lugar menos rígido, mais fluído. Talvez

seja saudável escolher lidar com o que a vida manda de uma forma mais espontânea, em vez de apenas reagir

transformando pedras mínimas do caminho em grandes questões existenciais, perdendo, assim, a perspectiva sobre

15 o que é complexo, de fato.

Acho que é dessa espontaneidade que tenho sentido falta, nas relações de todos os tipos – entre pessoas, projetos,

trabalhos, empresas. Pensa comigo: quando foi a última vez que você se conectou a alguém por causa de uma

afinidade, sem esperar nada em troca, só porque sentiu admiração e vontade de saber mais sobre alguma coisa que

a outra pessoa disse ou fez? Quando foi a última vez em que mandou uma mensagem desse tipo sem elucubrar

20 200 vezes a respeito antes, complicando o que seria uma oferta natural de apoio, atenção e afeto e a chance de

receber de volta uma resposta surpreendente? Quando foi a última vez em que conseguiu rir de algo que aconteceu

a você e saiu completamente fora do que foi planejado, mas até que foi interessante?

___ Uma vida mais simples começa quando a gente para de levar tudo tão a sério – e coloca atenção e intenção

naquilo que realmente parece fazer sentido pra gente agora. A realidade não vai ficar cor de rosa só porque eu e

25 você queremos, mas pode ser que fique mais leve passar pelos dias cinzas se cada um de nós cuidar do que é sua

responsabilidade, sem complicar. Sisudez, formalismos, reclamações, dúvidas, a cabeça e a agenda explodindo não

são sinônimo de sucesso nem de maturidade. São pesos, são distrações, parecem mais com ego no comando,

insegurança pedindo carinho, medo de não saber ser, se não for na marra. O modo como você passa pelos seus

dias é a forma como a sua vida está passando, afinal. Considere esta sugestão: simplifique o que você pode na

30 forma de pensar e fazer o que der, para sentir que você está bem vivo aí, no miudinho do seu tempo, esse que vai

passar levando você pra frente, sem considerar a sua embatucação.


Fonte: MARI, Juliana de. Revista Vida Simples. p. 44, nov. 2018.

Segundo o gramático Cegalla (1997), o pleonasmo é o emprego de palavras redundantes, que, como figura de linguagem, visa a um efeito expressivo, com o fim de reforçar ou enfatizar uma ideia. Porém, alguns são considerados vícios de linguagem pela norma padrão da língua, por serem repetições desnecessárias, que são usadas fora do contexto da linguagem literária. No primeiro parágrafo do texto, a autora faz uso de um pleonasmo, conforme se verifica na alternativa


A

“[...] o mergulho pra dentro, na tão propagada busca de autenticidade [...]” (Linhas 4-5)


B

“Tenho a sensação que estamos complicando demais a vida.” (Linha 1)


C

“[...] a situação no Brasil não está bonita nem fácil [...]” (Linhas 1-2)


D

“Será que precisa ser assim, sofrido o tempo todo?” (Linhas 6-7)