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Dentre os mecanismos de coesão lexical presentes no texto...

Um filme

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Esta é a maior qualidade do filme “Spotlight: segredos revelados”: ele dura 128 minutos. E nenhum

deles parece estar além da conta. É o tempo de que o diretor Tom McCarthy precisava para contar

sua história. E ele conta de uma maneira que o espectador nunca sente tédio. Não tem sexo, não

tem humor, não tem violência, não tem perseguição de carros, não tem efeitos especiais. É só uma

5 história bem contada. E que história!

“Spotlight: segredos revelados” segue o dia a dia de um grupo de jornalistas da publicação americana

The Boston Globe durante a apuração, em 2001, de uma reportagem que entraria para a História.

São quatro repórteres que formam a equipe chamada de Spotlight. Eles trabalham em reportagens

especiais, sem prazo para ficarem prontas. Aqui no Brasil também há equipes assim. Costumamos

10 chamar de Tropa de Choque. Nos meus 40 anos de jornalismo, vi várias serem formadas. Mas

nunca vi uma dar certo. Elas costumam ganhar a antipatia do resto da redação. Afinal, enquanto

a maioria dos repórteres faz uma, duas, até três reportagens por dia, seguindo a pauta, o pessoal

da Tropa de Choque fica um mês ou mais sem publicar nada. O desgaste acaba encerrando as

atividades das Tropas de Choque.

15 A tropa americana deu certo. E o assunto era cabeludo. Cabia aos repórteres descobrir se a cúpula

da Igreja Católica em Boston tinha conhecimento dos atos de pedofilia que alguns padres da cidade

cometiam contra crianças de famílias carentes. A cada informação conseguida, a reportagem fica

mais assustadora. Há advogados envolvidos na defesa das vítimas que acabam trabalhando para as

acusações serem esquecidas. Há pressão da alta sociedade local para que o escândalo não chegue às

20 páginas do jornal (Boston tem uma das maiores comunidades católicas dos Estados Unidos). O que

parecia ser um crime praticado por um ou outro padre se transforma numa denúncia contra quase

90 padres pedófilos. A Spotlight publicou mais de 600 reportagens sobre o assunto no Boston Globe.

O filme acaba quando o jornal chega às bancas com a primeira dessas reportagens. Foi a partir do

material do jornal que os padres molestadores se transformaram numa questão da Igreja Católica

25 em todo o mundo.

Sempre gostei de filmes sobre jornalistas, mesmo antes de ser um deles. A profissão não é muito

bem vista pelo cinema. Dois dos meus filmes preferidos no gênero são dirigidos por Billy Wilder,

um cineasta que tinha uma visão cínica do mundo e, consequentemente, do jornalismo também. “A

montanha dos sete abutres” traz um Kirk Douglas sem ética, mostrando até onde um profissional

30 pode ir em nome do sensacionalismo. O outro é “A primeira página”, com Jack Lemmon e Walter

Matthau. Esse, pelo menos, é uma comédia, mas, apesar do humor, não deixa de mostrar do que é

capaz um repórter para conseguir um furo.

Em “Spotlight: segredos revelados”, os jornalistas estão do lado do bem. Para quem se acostumou a

ver a profissão apedrejada, é um alento. “Spotlight” não é só um filme sobre jornalismo. É um filme

35 sobre o bom jornalismo. Não há dúvida de que os quatro repórteres da Spotlight são os mocinhos

da trama. Uma reportagem bem feita é capaz de mudar a História. E isso é bom, não é? Pode ser

que os tempos de jornalismo na internet não deem mais lugar para apurações demoradas e textos

longos como os que o Boston Globe produziu. Pior para o leitor.

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ARTUR XEXÉO

Adaptado de O Globo, 10/01/2016.

Dentre os mecanismos de coesão lexical presentes no texto, o par que representa o emprego de hiperônimo e seu respectivo hipônimo está indicado em:


A

história (𝓁. 3) − redação (𝓁. 11)


B

padres (𝓁. 22) − Igreja (𝓁. 24)


C

filmes (𝓁. 26) − comédia (𝓁. 31)


D

repórteres (𝓁. 35) − mocinhos (𝓁. 35)