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Uma análise dos elementos linguísticos do texto permite...

AS QUESTÕES 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO


  1. Para muitos, ciência e religião estão permanentemente em guerra. Desde a famosa crise
  2. entre Galileu Galilei e a Inquisição, no século 17, quando o cientista foi forçado a abjurar sua
  3. convicção de que o Sol e não a Terra era o centro do cosmo, razão e fé aparentam ser incompatíveis.
  4. Aos crentes, a religião oferece não só apoio espiritual em momentos difíceis e uma comunidade
  5. fraterna e acolhedora, mas também respostas a questões de caráter fundamental e misterioso, como a
  6. origem do Universo, da vida ou da mente.
  7. Na sua maioria, as respostas são relatadas em textos sagrados, escritos por homens que
  8. recebem a sabedoria por meio de um processo de revelação sobrenatural, de Deus (ou dos deuses)
  9. para os profetas. Para as pessoas de fé, é absurdo contestar a veracidade desses textos, visto que são
  10. expressão direta da palavra divina.
  11. A atitude descrita acima faz parte da ortodoxia de muitas religiões. Nem todos os crentes
  12. adotam uma posição tão radical com relação à veracidade, ou literalismo, dos textos sagrados. Uma
  13. posição mais comum é interpretar os textos como representações simbólicas, um corpo de narrativas
  14. dedicadas a construir uma realidade espiritual baseada em certos preceitos morais. Galileu criticou os
  15. teólogos católicos, dizendo que a função da Bíblia não é explicar os movimentos dos planetas, mas
  16. como obter a salvação eterna. ("Não é explicar como os céus vão, mas como se vai para o Céu.")
  17. A adoção de uma postura menos ortodoxa permite uma visão de mundo menos radical, onde
  18. a religião e a ciência podem viver em harmonia, cada uma cumprindo sua missão social. O conflito
  19. entre as duas não é, de forma alguma, necessário. Basta saber distinguir o que uma ou outra pode e
  20. não pode fazer. Isso serve também aos cientistas, em especial aos que têm atitudes ortodoxas contra a
  21. religião.
  22. Acho extremamente ingênuo imaginar ser possível um mundo sem religião. Ingênuo e
  23. desnecessário. A função da ciência não é tirar Deus das pessoas. É oferecer uma descrição do mundo
  24. natural cada vez mais completa, baseada em experimentos e observações que podem ser repetidos ou
  25. ao menos contrastados por vários grupos. Com isso, a ciência contribui para aliviar o sofrimento
  26. humano, seja ele material ou de caráter metafísico.
  27. A distinção essencial entre ciência e religião está no que cada uma delas pressupõe ser a
  28. natureza da realidade. Enquanto a religião adota uma realidade sobrenatural coexistente e capaz de
  29. interferir com a realidade natural, a ciência aceita apenas uma realidade, a natural. Aqui aparece a
  30. razão principal do conflito entre as duas. Para a ciência não é preciso supor que o que ainda não é
  31. acessível ao conhecimento necessite de explicação sobrenatural. O que não sabemos hoje pode, em
  32. princípio, vir a ser explicado no futuro. Em outras palavras, a ciência abraça a ignorância, o não-
  33. saber, como parte necessária de nossa existência, sem lançar mão de causas sobrenaturais para
  34. explicar o desconhecido.
  35. Sem dúvida, esse tem sido o seu caminho: explicar de forma clara e racional um número
  36. cada vez maior de fenômenos naturais, do funcionamento dos átomos à formação de galáxias e a
  37. transmissão do código genético entre os seres vivos. As tecnologias que tanto definem a vida
  38. moderna, da revolução digital aos antibióticos, dos meios de transporte ao uso da física nuclear no
  39. tratamento do câncer, são fruto desse questionamento. Negar isso é tentar olhar para o mundo de
  40. olhos fechados.
  41. A conciliação entre ciência e religião só ocorrerá quando ficar claro o papel social de cada
  42. uma. Negar uma ou outra é ignorar que o homem é tanto um ser espiritual quanto racional.

Marcelo Geiser

Uma análise dos elementos linguísticos do texto permite afirmar:


A

A declaração “mas também” (L.5) exprime oposição.


B

Os termos “O”, em “O que não sabemos hoje” (L.31), e “o”, em “o seu caminho” (L.35), equivalem-se morfologicamente.


C

A oração “que recebem a sabedoria” (L.7/8) tem função adjetiva.


D

O termo “ou”, em “ou literalismo” (L.12) denota alternância.