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Leia os trechos de textos a seguir e responda às questões de 21 a 24.
A língua portuguesa encontra-se em constante alteração, evolução e atualização, não sendo um sistema estático e fechado. O uso faz a regra e os falantes usam a língua de modo a suprir suas necessidades comunicativas, adaptando-a conforme suas intenções e necessidades.
Sendo uma sociedade complexa, formada por diferentes grupos sociais, com diferentes hábitos linguísticos e diferentes graus de escolarização, ocorrem variações na língua, principalmente de caráter local, temporal e social.
Nem todas as variações linguísticas usufruem do mesmo prestígio, sendo algumas consideradas menos cultas. Contudo, todas as variações devem ser encaradas como fator de enriquecimento e cultura e não como erros ou desvios.
Fonte: http://www.normaculta.com.br/ variacoes-linguisticas/
Ao se tratar de variação linguística, é viável falar a respeito do conceito de norma. Castilho (2002) denomina um conceito amplo e um conceito estrito de norma. Esse conceito mais estrito é que seria de maior interesse por entender-se como os usos e as atitudes de uma classe social de prestígio distinguindo-se como norma objetiva, norma subjetiva e norma prescritiva, esta última encarada e difundida pela escola como sendo a representação única e exata da língua.
O autor denomina norma objetiva, ou padrão real como a linguagem efetivamente praticada pela classe social de prestígio, a qual se define também como a classe que tem os maiores níveis de escolaridade, identificando-se como a classe culta. A variedade da língua utilizada pelas pessoas deste nível social, linguisticamente, não é superior aos outros dialetos, porém é o que tem maior prestígio, pois corresponde à importância que se dá à classe social do falante. A norma subjetiva, ou padrão ideal, segundo Castilho, é a atitude que o falante assume para com a norma objetiva, ou seja, corresponde ao dialeto que as pessoas esperam que os outros falem em determinadas situações de interação, e a norma prescritiva é assumida pelo autor como a combinação entre o que ele chamou de norma objetiva e norma subjetiva, isto é, são os usos linguísticos da classe social de prestígio, identificados como o ideal de perfeição da linguagem.
(...)
(...) fica claro que não se pode falar ou querer que as pessoas utilizem apenas uma única norma linguística, já que estas refletem os usos da língua de grupos que se unem em torno de diversos valores: sociais, culturais, religiosos e que é responsável também pela identificação que existe entre os indivíduos que compõem esse grupo, o que, porém, não impede que as pessoas desse grupo entrem em contato e sofram influências das normas utilizadas em outras instâncias da sociedade.
(...)
É importante ressaltar que a norma culta é mais uma variedade da língua e, como tal, é também bastante heterogênea e está longe de cumprir os ideais linguísticos de correção gramatical, além de também ser fortemente influenciada pelas normas populares.
(...)
Lucchesi (2002) afirma que a realidade linguística brasileira não é apenas heterogênea, mas é também polarizada, definindo-se dentro desse sistema heterogêneo do português dois outros sistemas também heterogêneos e variáveis que são a norma culta e a norma vernácula ou popular.
Fonte: Texto adaptado: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:wRlHnSQ77akJ:www.letramagna.com/artigo19_XII.pdf+&cd=9&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-b
De acordo com os textos e com os estudos sociolinguísticos, assinale a alternativa INCORRETA.
A evolução da língua se dá de forma dinâmica. É possível dizer que a língua evolui porque funciona, e funciona porque evolui: é o uso que faz produzir sua mudança. Essa mudança garante a continuidade de seu funcionamento. Um exemplo de mudança acontece com a variação histórica (transformações ao longo do tempo). Por exemplo: a palavra “farmácia” já foi escrita com “ph” (pharmácia).
Como a língua produz cultura, a diversidade cultural é causa da diversidade linguística. Além da mudança no tempo, há ainda a diversidade geográfica (variação diatópica), em que os diferentes habitats condicionam diferentes formas de cultura. Dessa forma, a separação dos grupamentos no tempo e no espaço é causa de sua diferenciação.
Variações sociais (diastráticas) são variações que ocorrem de acordo com os hábitos e cultura de diferentes grupos sociais. Esse tipo de variação ocorre porque diferentes grupos sociais possuem diferentes conhecimentos, modos de atuação e sistemas de comunicação.
São exemplos de variação diastrática: linguagem formal, considerada mais prestigiada e culta, usada quando não há familiaridade entre os interlocutores da comunicação ou em situações que requerem uma maior seriedade; linguagem informal, considerada menos prestigiada e culta, usada quando há familiaridade entre os interlocutores da comunicação ou em situações descontraídas.
O Brasil, como um país muito extenso, apresenta incontáveis modos de falar (variações linguísticas). A influência de elementos presentes em cada região do país, aliada ao desenvolvimento histórico de cada lugar, fez com que surgissem regionalismos, isto é, expressões típicas de determinada região.