

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Por que a tecnologia “não funciona” na escola?
01---------Quem trabalha com educação certamente já foi questionado se a tecnologia digital faz o
02--aluno aprender mais, ou ainda se vale a pena investir em tecnologia para a escola. Minha
03--resposta costuma ser sempre a mesma: depende. Não há como se chegar a uma resposta até
04--que enfrentemos uma questão mais profunda: que tipos de aprendizado devem ocorrer nas
05--escolas e universidades? Em escala maior, quais são as prioridades e os avanços desejados para
06--uma comunidade, um estado ou até para o país? Infelizmente, o debate sobre EdTech — nome
07--dado ao segmento de tecnologia educacional — costuma ser marcado por superficialidade e
08--premi___as duvidosas. É preciso, primeiro, reenquadrar essa conversa para compreendermos o
09--que esperar da tecnologia.
10---------Discursos messiânicos. É comum ouvir que os sistemas educacionais estão quebrados,
11--que a escola parou no tempo ou que o professor é um dinossauro. A falá___ia da terra arrasada
12--— um discurso para lá de equivocado e perigoso — logo dá espaço ao messianismo tecnológico,
13--colocando produtos digitais como centrais para remediar a educação. Promessas exageradas,
14--baseadas mais em marketing que em evidências, levam a e___pectativas infladas sobre o que
15--aplicativos, tablets ou robôs podem realmente fazer pela educação.
16---------Visões reducionistas. Quando a educação é reduzida a avaliações padronizadas, o
17--impacto potencial da tecnologia também é diminuído. Há que se lembrar que a Educação —
18--aquela com "E" maiúsculo — vai muito além de preparação para provas, e que tecnologia
19--educacional pode ser muito mais do que uma ferramenta de treinamento e avaliação. Temas
20--como criatividade, desenvolvimento da autonomia e engajamento cidadão, por exemplo, podem
21--e devem ser ampliados pela oferta tecnológica. Reduzir a educação a notas e certificados significa
22--limitar o impacto positivo que a tecnologia pode trazer.
23---------Miopia criativa. Quem estuda o desenvolvimento de tecnologias educacionais sabe que
24--é fundamental que o usuário final — seja ele professor, familiar, aluno ou gestor escolar —
25--participe ativamente do processo criativo. Mas isso nem sempre acontece. É comum ver
26--situações em que o público-alvo nem sequer foi consultado, ou apenas participou de simulações
27--em laboratório, fora do caos desafiador que representa qualquer escola. Antes de perguntarmos
28--se um produto de EdTech vai dar certo ou não, há que se questionar o caminho criativo adotado
29--para se chegar até ele. Miopia criativa leva a argumentos falsos e produtos fadados ao
30--esquecimento.
31---------O mito do "plug and play". A tecnologia digital acelerou a forma como percebemos o
32--mundo. É essa ansiedade por respostas instantâneas, somada a nossa eterna busca por
33--automação, que pode fazer de EdTech algo mais parecido com uma geladeira do que com uma
34--ferramenta para construção de conhecimento. Plugue a geladeira na tomada e deixe-a
35--funcionando sozinha. Dê um tablet a cada criança e espere a mágica acontecer. Mas por que o
36--aluno não aprende? Porque educação dá trabalho mesmo. Ensinar e aprender requerem mais do
37--que atos mecânicos como ligar/desligar, acertar ou errar, ou "baixar informação" para a cabeça.
38--Educação precisa, entre muitas outras coisas, de reflexão, cuidado e diálogo constantes.
39---------Ignorando o ponto cego. Instituições de ensino geralmente compartilham um mesmo
40--ponto cego: atribuem insucessos a fatores externos e teimam em não olhar para dentro. É
41--comum encontrar casos em que a tecnologia simplesmente ajuda a perpetuar modelos
42--pedagógicos ultrapassados, centrados no professor, organizados em torno da memorização e
43--avaliados unicamente através de erros e acertos. Esperar que iniciativas sedutoras, como
44--distribuir um computador por aluno, resolvam problemas estruturais persistentes é ingênuo ou
45--mal-intencionado. Em outras palavras, não é a tecnologia que vai modernizar a escola ou torná
46--la mais inovadora.
47---------Isso significa que o rei está nu? É claro que não. Soluções de EdTech podem sim facilitar
48--a colaboração entre alunos, ampliar as capacidades de professores, abrir as portas da escola
49--para o mundo e gerar inúmeras possibilidades pedagógicas. Mas atribuir sucessos ou fracassos
50--educacionais a sistemas e aparatos digitais faz tanto sentido quanto perguntar se tecnologias
51--analógicas como lápis, borracha, giz ou quadro negro levam ou não ao aumento da
52--aprendizagem.
53---------São as perguntas erradas que levam a respostas sem sentido e debates infrutíferos. Para
54--qualificar o debate nacional em torno de tecnologia educacional, é preciso, primeiro, enfrentar
55--as questões fundamentais sobre a educação e não se deixar seduzir pelo fetiche digital.
..
Fábio Campos – Revista Época – 18/10/2019 – Disponível em época.globo.com – adaptação
Na linha 49, há a ocorrência da conjunção adversativa “Mas”. Assinale a alternativa que NÃO apresenta uma conjunção coordenativa adversativa.
Contudo.
Porém.
Todavia.
Embora.
Entretanto.