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Leia o texto para responder às questões de números 05 a 10.
Autoestima demais
A autoestima ganhou tanta ênfase na educação das crianças que pais e educadores saíram distribuindo elogios a torto e a direito.
A ideia de que a criança que acredita em seu potencial não encontra limites para suas realizações é sedutora, mas estudos – e a experiência de quem lida com o universo infantil – vêm mostrando que o excesso de elogios foi mais um golpe na autoestima dos pequenos. É o caso da pesquisa, publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, que concluiu que filhos muito elogiados são mais narcisistas.
Adriana B. diz que se considera um “mau exemplo” porque sempre ouviu que era importante elogiar muito as crianças. Resultado: a filha mais velha, de 7 anos, não aceita ser ensinada ou corrigida. “Exagerei demais. A autoestima é importante, porém tem que ter senso crítico também.”
Ela conta que foi a primeira apresentação de dança da filha que a levou a essa reflexão. “Quando acabou, eu lhe dei os parabéns e ela me disse: ‘Ai, dancei superbem, né?’ É tão comum para ela ouvir elogios que ela já assume como verdade. Falta uma dose de humildade.”
O neuropediatra Rudimar Riesgo ensina que o mais sensato é elogiar “a conta gotas”, em busca de um meio termo. “As crianças com muita autoestima têm dificuldade de lidar com as frustrações, assim como aquelas com pouca autoestima. Os pais devem elogiar quando possível, sem deixar de criticar quando for necessário.”
Para o pediatra Henrique Klajner, a autoestima é essencial, entretanto deve ser conquistada por esforço próprio. Ele aconselha os pais a expressarem satisfação quando aprovam um comportamento ou realização dos filhos, visto que a atitude faz com que a criança se sinta “incluída”. “Mas o elogio é uma barreira à continuação das conquistas. Se a criança acha que chegou ao topo, ela para de tentar.”
A psicóloga Ceneide Cerveny ressalta que as crianças são sensíveis, espertas e percebem elogios falsos ou excessivos. A autoestima não depende apenas das atitudes de pais e mestres, há também interferências externas, todavia, “Se crianças forem elogiadas na medida certa, com sinceridade, elas provavelmente se sentirão mais confiantes”.
(Raquel Botelho. Folha de S.Paulo, 02.08.2016. Adaptado)
Assinale a afirmação correta a respeito das expressões destacadas nas alternativas.
Em – “Exagerei demais...” –, tem-se circunstância adverbial de intensidade, como em: Devido à extrema velocidade, o trem quase descarrilou.
Em – o mais sensato é elogiar “a conta gotas” –, tem-se circunstância adverbial de modo, como em: O cão desprendeu-se da coleira e fugiu ladeira abaixo.
Em – a autoestima é essencial, entretanto deve ser conquistada por esforço próprio –, tem-se circunstância adverbial de meio, como em: Conseguiu um lugar no ônibus graças à gentileza de um rapaz.
Em – Se a criança acha que chegou ao topo –, tem-se circunstância adverbial de lugar, como em: Circulou pela madrugada em busca de uma farmácia aberta.
Em – “...elas provavelmente se sentirão mais confiantes” –, tem-se circunstância adverbial de afirmação, como em: Alterando as cores da fachada talvez fique mais bonito.