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A importância da norma culta
Diálogo difícil do professor de Português com os alunos é convencê-los a falar e a escrever conforme as normas da língua culta.
Para muitos representam esses padrões uma imposição das classes dominantes e devem ser, como outras formas de opressão, abolidos, em benefício do sofrido povo brasileiro.
Existe em tal argumentação uma convergência de elementos heterogêneos. Ressalve-se, de logo, que a língua, toda língua, é sempre uma propriedade coletiva, um bem socializado; um patrimônio nacional. Nenhuma classe é donatária exclusiva do idioma.
Mas a grande confusão está mesmo no entendimento deficiente do processo de comunicação. Vivendo em comunidade, todo falante é naturalmente entendido pelos parentes. Há, porém, outros estratos na vida social; a escola, a igreja, o clube, o trabalho que proporcionam momentos informais e formais. O falante civilizado não deve se expressar, em toda parte, em todo momento, com a linguagem da tribo ou do clã. Seria uma inadequação a ser repelida pela sociedade como um comportamento inconveniente.
Ao instruir o estudante no manejo oral e escrito das modalidades cultas não está o professor de Português impondo-lhe um código arbitrário, mas simplesmente habilitando-o a que, em qualquer situação, possa utilizar o extraordinário instrumento que é uma língua de civilização.
O conhecimento do idioma é então necessário como o de outras normas de convivência social.
Se não se aceitam as normas de educação, de higiene, de trânsito etc., o resultado é o retorno às selvas. Mas, ainda nesse caso extremo, porque o homem não vive isolado, sempre haverá alguma regra a ser seguida.
O acesso à língua culta, por ser uma certidão de cidadania, constitui-se numa aspiração legítima. Cumpre ao professor de Português assegurar a seus alunos esse direito.
Jairo Dias de Carvalho, Jornal dos Sports – 20/11/1992.
De acordo com a tipologia textual, o texto é predominantemente:
Narrativo.
Injuntivo.
Narrativo-descritivo.
Dissertativo-argumentativo.