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Instrução: As questões de números 01 a 09 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Como iluminar o Brasil
01----------Quando o projeto da Usina Hidrelétrica São Luiz do Tapajós, no Pará (provavelmente distante
02---de onde você mora), foi suspenso no fim de abril de 2016 pelo impacto que pode causar na vida
03---de 12 mil índios mundurucus (sobre os quais você dificilmente ouviu falar), sua vida também foi
04---afetada de alguma forma. A relação pode não ser muito clara de início, mas a construção de mais
05---uma hidrelétrica na região amazônica faz parte de um debate maior, que envolve as escolhas da
06---sociedade brasileira sobre geração de energia elétrica e preservação socioambiental. E isso tem
07---reflexos diretos, por exemplo, no seu banho quente, nos eletrodomésticos que usa e, logicamente,
08---no valor da sua conta de luz. Afinal, a eletricidade não nasce no interruptor, embora num mundo
09---de elevadores, geladeiras e dispositivos eletrônicos seja fácil esquecer isso.
10----------A decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
11----(Ibama) de suspender o licenciamento ambiental da São Luiz do Tapajós, que seria uma das
12---maiores usinas do país, com 6,1 gigawatts (GW) de capacidade instalada – a de Itaipu, como
13---referência, é de 14 GW –, é uma forte demonstração de que o modelo nacional baseado em
14---grandes hidrelétricas, que produzem energia a preços bem acessíveis, está se tornando
15---controverso. E abre precedente para repensar cerca de 30 projetos planejados para o período
16---2011-2020, 18 dos quais estão localizados na Amazônia, de acordo com o atual Plano.
17----------A questão principal é: para que lado caminhará nossa matriz elétrica? É inquestionável que
18---o setor elétrico brasileiro sempre foi expressivamente limpo, por estar 74,6% baseado em fontes
19---renováveis. Entretanto, a necessidade de adoção de termelétricas (__ base de combustíveis
20---fósseis), durante a última década, fez acender um sinal de alerta para o meio ambiente, a
21---produtividade do capital nacional e o bolso do consumidor. No Brasil, a execução de obras de
22---grande porte do setor energético, como hidrelétricas, é um veículo para a corrupção. No caso da
23---usina de Belo Monte, no Pará, o sobrepreço está sendo estimado em 20%.
24----------Com essas questões trazidas à luz, a matriz majoritariamente hidráulica, que funcionou até
25---então, está passando por questionamentos, e o Greenpeace está entre seus maiores críticos. No
26---planejamento para 2050, feito pela organização não governamental conservacionista, as
27---hidrelétricas perderiam o trono. Considerando uma geração de eletricidade duas vezes maior que
28---a atual, para acompanhar a demanda, a ONG sugere que se mantenham as hidrelétricas já
29---existentes, mas não se construam novas, de maneira que elas respondam por 35% do total
30---gerado (hoje em dia, são responsáveis por 61,2% da geração).
31----------A construção de grandes hidrelétricas, como Itaipu, está cada vez mais difícil no Brasil por
32---causa de fatores ambientais. As fontes solar e eólica, que atualmente ficam com 6,4% do bolo,
33---por sua vez, ganhariam protagonismo, assumindo 40% da matriz; a biomassa (hoje em dia com
34---9,3%) e a solar concentrada (praticamente inexistente) somariam até 25% e serviriam para
35---garantir a segurança energética – atual papel das caras e poluentes usinas termelétricas. Esse
36---planejamento, no entanto, bate de frente com boa parte dos especialistas no assunto, que não
37---confiariam a segurança da matriz a fontes consideradas intermitentes. Nos últimos tempos, o país
38---“sujou” sua matriz energética, usando combustíveis fósseis para alimentar usinas termelétricas,
39---como a de Camaçari, na Bahia.
40----------Outro estudo divulgado pela ONG sugere a combinação de usinas fotovoltaicas, eólicas e de
41---biomassa como substituição __ usina de Tapajós, o que traria ainda duas vantagens: a agilidade
42---de construção – dois a três anos, enquanto as hidrelétricas levam, em média, dez anos – e a
43---criação distribuída de empregos pelo país. “Os governos seguem insistindo em construir grandes
44---hidrelétricas, que já estão ultrapassadas. As fontes solar, eólica e biomassa já poderiam ter maior
45---participação se também recebessem incentivos como as hidrelétricas, nuclear e de combustíveis
46---fósseis”, afirma Thiago Almeida, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Ele
47---ressalta ainda que a crise hídrica recente ameaçou o país com uma nova crise energética, que só
48---não foi concretizada porque a retração econômica reduziu a demanda de eletricidade a níveis
49---abaixo do previsto. “O favoritismo a grandes obras se reflete nos problemas de corrupção que o
50---Brasil está vivendo hoje. Quanto maior a obra, maiores as quantias envolvidas, o espaço e o risco
51---para corrupção”, avalia.
Fonte: (http://www.revistaplaneta.com.br/como-iluminar-o-brasil/). Texto adaptado.
A respeito do acento indicativo de crase, analise as seguintes assertivas:
I. Se a palavra ‘preços’ (l.14) fosse alterada para o singular, seria necessário o emprego do acento indicativo de crase no ‘a’ que a antecede.
II. A lacuna da linha 19 ficaria corretamente preenchida por ‘à’, visto ser necessário o acento indicativo de crase nessa expressão.
III. A lacuna da linha 41 deveria ser preenchida por ‘à’, devido à regência nominal de ‘substituição’ e ao fato de haver um substantivo feminino na sequência.
IV. Em ‘O favoritismo a grandes obras’ (l.49), o ‘a’ deveria estar no plural e marcado com crase, visto a regência de ‘favoritismo’ e a expressão feminina no plural ‘grandes obras’.
Quais estão corretas?
Apenas I e II.
Apenas II e III.
Apenas III e IV.
Apenas I, II e IV.
I, II, III e IV.