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TEXTO I
Ouvimos tudo o tempo todo. O canto dos pássaros, a sirene da ambulância, a respiração ofegante, o tilintar dos talheres, o miado do gato, o latido do cachorro, a água caindo no copo, o trinco da porta, o sorriso da criança – e o choro também –, a roda da bicicleta em movimento, o motor do carro, o agito da máquina de lavar, o alerta da nova mensagem recebida no celular e mais uma miríade de sons nessa polifonia diária – alguns por demais agradáveis, outros nem tanto.
Mas, se ouvimos muito, por outro lado pouco escutamos verdadeiramente. A diferença é simples: ouvir é um processo mecânico relativo à audição e não pode ser impedido. Já a escuta pede nossa presença, é doar-se ao próximo e implica cuidado e preocupação com o outro.
RANIERI, Gustavo. Saiba escutar. Vida simples. São Paulo, Vida Simples Participações LTDA, n 237, 2021. p. 16 (Fragmento).
TEXTO II
Quando a pandemia começou, parte dos brasileiros passou ao trabalho remoto. Aulas e reuniões começaram a ser feitas através de videoconferências e assim permaneceram ao longo de 2021. A medida, que visava proteger a população da Covid-19, colocou-nos diante de um problema que não era exatamente novo, mas para o qual talvez nunca tenhamos dado a devida atenção: os ruídos cotidianos da cidade. A poluição sonora logo se tornou uma companheira inseparável e impertinente das atividades a distância.
À primeira vista (ou melhor, à primeira escuta), há dificuldades óbvias causadas pelo barulho em excesso. No extremo, a exposição contínua ao som alto pode levar a problemas de audição.
BRUM, Maurício; ALVES, Mariana; LISBOA, Sílvia. Que som é esse? Claudia. São Paulo, Editora Abril, ano 60, n. 11, nov., 2021. p. 66 (Fragmento adaptado).
No Texto I, estabelece-se uma diferença entre os significados de ouvir e escutar. No Texto II, essa diferença é ignorada. Isso ocorre porque
os autores podem significar as palavras a seu bel prazer, uma vez que na língua portuguesa não há sentidos convencionais.
todas as palavras da língua portuguesa têm sempre dois sentidos, nem mais, nem menos.
a interpretação dos sentidos das palavras é totalmente condicionada pelo ponto de vista de cada falante da língua.
o sentido das palavras pode variar em função do contexto em que elas são mobilizadas.