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ATENÇÃO:
Leia o texto a seguir para responder as questões 22,23 e 24
OLHADOR DE ANÚNCIO
Eis que se aproxima o inverno, pelo menos nas revistas, cheias de anúncios de cobertores, de lãs e malhas. O que é o desenvolvimento! Em outros tempos, se o indivíduo sentia frio, passava na loja e adquiria os seus agasalhos. Hoje são os agasalhos que lhe batem à porta, em belas mensagens coloridas (...)
Mas sempre é bom tomar conhecimento das mensagens, passada a frustração. É o mundo visto através da arte de vender. “As lojas fazem tudo por amor”. Já sabemos (...) que esse tudo é muito relativo. “Em nossas vitrinas a japona é irresistível”. Então, precavidos, não passaremos diante das vitrinas. E essa outra mensagem, é mesmo, de alta prudência: “Aprenda a ver com os dois olhos”. Precisamos deles para navegar na maré de surrealismo que cobre outro setor da publicidade: “Na liquidação nacional, a casa tritura preços”. Os preços virando pó, num país inteiramente líquido: vejam a força da imagem. Rara espécie animal aparece de repente: “Comprar na loja y é supergalinha-morta” (...)
O olhador sente o prazer de novas associações de coisas, animais e pessoas; e esse prazer é poético. Quem disse que a poesia anda desvalorizada? A bossa dos anúncios prova o contrário. E ao vender-nos qualquer mercadoria, eles nos dão de presente “algo mais”, que é produto da imaginação e tem serventia, as coisas concretas, que também de pão abstrato se nutre o homem.
(Andrade, Carlos Drummond de. O poder ultrajovem. Rio de Janeiro: Record, 1986, p. 151-152)
No segundo parágrafo, a frase: “Então, precavidos, não passaremos diante das vitrinas” significa, no texto, que:
Se o consumidor não tem dinheiro, não deve ficar olhando as vitrinas.
Como diz o texto, “as lojas fazem tudo por amor”.
As vitrinas não têm poder algum de convencer as pessoas a comprar.
Se é irresistível para o consumidor comprar determinado objeto, ele não deve ficar o admirando na vitrina.