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A partir da leitura e interpretação do texto, assinale a...

Leia o texto a seguir e responda às questões de 5 a 8.


O LUCRO INFLACIONÁRIO É UMA “NÃO-RENDA”


1 ____ A matéria pode ser analisada tanto pelo lado jurídico quanto pelo contábil.

2 ____ O professor Eliseu Martins, em artigo tecnicamente correto, contesta artigo meu, publicado na

3 Folha, sobre o “lucro inflacionário”. O enfoque que dei à matéria foi jurídico. O dele, contábil.

4 ____ No aspecto contábil não divergimos. Para compreensão dos leitores simplifiquei a explicação de

5 lucro inflacionário, alertando-os de que todas as simplificações são mutiladoras.

6 ____ O professor Eliseu Martins aceitou a fórmula simplificada e, como professor de contabilidade,

7 acrescentou aspectos técnicos, de natureza estritamente contábil, com os quais concordo, enquanto

8 nessa área.

9 ____ Com a honestidade intelectual que o caracteriza, alertou o professor Eliseu Martins que, se o pas-

10 sivo “financiado” fosse corrigido na mesma conta da atualização do ativo permanente e do patrimônio

11 líquido, não haveria saldo credor, mas que a “falha legal” na demonstração de resultado cria a questão.

12 ____ A seguir, reconhece que constitui sério problema o fato de o financiamento do ativo permanente

13 se dar com encargos prefixados embutidos no valor total a pagar, com distorção do resultado presente

14 e futuro e com deformação do resultado do ativo, do passivo e do patrimônio líquido, mas equaciona tal

15 problema, no plano teórico, pela técnica da correção integral, afastando o diferimento do lucro inflacio-

16 nário, com reajuste do valor futuro, como determinava a lei até 1994.

17 ____ Em outras palavras, no plano escritural a técnica contábil apresenta soluções para um problema

18 em que a contabilidade é apenas ciência vicária da interpretação jurídica, remanescendo a questão

19 jurídica de saber o que, para o direito e não para a contabilidade, significa o vocábulo “aquisição de

20 disponibilidade econômica”, que não consta de nenhuma lei ordinária de Imposto de Renda ou de con-

21 tabilidade, mas de norma com eficácia de lei complementar, a qual determina o que é fato gerador do

22 Imposto de Renda.

23 ____ E, neste ponto, as nossas convergências contábeis cedem lugar a divergências jurídicas, visto

24 que a interpretação do direito se dá dentro de categorias jurídicas e não de outras ciências, que apenas

25 podem-lhe servir de apoio.

26 ____ A discussão do que seja o fato gerador do Imposto de Renda é matéria que ainda hoje espicaça

27 a inteligência dos juristas dedicados ao direito tributário.

28 ____ A matéria, no campo do direito, não oferece a tranquilidade acadêmica que para o professor

29 Eliseu Martins existe na contabilidade.

30 ____ As palavras, no direito, têm um conteúdo ontológico. Devem ser interpretadas dentro de um

31 contexto. E a lei complementar, que condiciona o legislador ordinário, dá os parâmetros exegéticos da

32 Constituição para as normas de aplicação.

33 ____ O conceito de fato gerador do Imposto de Renda é anterior ao conceito de lucro inflacionário,

34 devendo este se submeter à lei complementar, enquanto “aquisição de disponibilidade econômica”, e

35 não a lei complementar à lei ordinária.

36 ____ E, no caso, admitindo-se a tese de “liquidez” como real aquisição de disponibilidade econômica

37 para a configuração do fato gerador do Imposto de Renda de uma empresa, independentemente das

38 equações meramente contábeis, o lucro inflacionário, que se exterioriza na contabilidade de forma me-

39 ramente escritural, pode representar, nos seus reflexos econômicos, uma desimobilização forçada, para

40 adimplência do tributo, se exigido antes de sua realização (alienação do bem com lucro).

41 ____ Tal fato não me parece conformar a aquisição de disponibilidade (não há disponibilidade real da-

42 quela parcela que deve ser retirada para pagamento do tributo), a que se refere o legislador supremo.

43 ____ A matéria, como coloquei no meu artigo – e o professor Eliseu Martins reconhece –, é polêmica.

44 Dificilmente, ele e eu mudaremos nossas opiniões.

45 ____ Felizmente, com a provável eliminação da inflação, tal discussão será reminiscência do passado,

46 porque, sem inflação, o “lucro inflacionário” deixa de ser problema jurídico ou contábil.

47 ____ Até lá, entendo ser o lucro inflacionário, no plano jurídico, uma “não-renda” e, por esta razão, a

48 técnica consagrada na legislação passada, de diferimento do pagamento do imposto da quase totalidade

49 de sua apuração até a realização do lucro, sempre me pareceu a mais adequada, apesar de sempre ter

50 defendido que o diferimento deveria ser total e não parcial.


(Adaptado de MARTINS, Inês Gandra da Silva. O lucro inflacionário é uma “não-renda”. Folha de S.Paulo, Mercado, 29 jan. 1995. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/1/29/dinheiro/5.html. Acesso em: 27 fev. 2020.)

A partir da leitura e interpretação do texto, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o gênero do texto “O lucro inflacionário é uma ‘não renda”’, publicado na Folha de S.Paulo.


A

Artigo de opinião.


B

Crônica.


C

Editorial.


D

Entrevista.


E

Notícia.