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No trecho “Em várias cidades, há problemas com a qualidade...

Considere o texto abaixo para responder as questões de 01 a 06.


O problema não é só falta de chuva (texto adaptado)


Na cabeça dos brasileiros, seca só acontece no Semiárido nordestino. A seca no Sudeste evidencia o limite do uso do recurso, nas cidades onde o crescimento populacional e industrial não é acompanhado pelo aumento da oferta de água tratada. Dados da ONU mostram que o uso da água cresceu a uma taxa duas vezes maior do que o aumento da população ao longo do último século. Enquanto a população global evoluirá dos atuais 7 bilhões para 9 bilhões em 2030, até 2025 o gasto de água deverá ser elevado em cerca de 50% nos países em desenvolvimento, e em 18% nos países desenvolvidos. Ainda existem 780 milhões de pessoas no mundo sem acesso a água potável. E até 2025, 2 milhões viverão em regiões com absoluta escassez. Como muitos já sabem, 70% da água disponível no planeta é utilizada para irrigação. No Brasil, o índice chega a 72%, com uma área irrigável de 29,6 milhões de hectares. Mas de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), quase 60% da água em projetos de irrigação é perdida por fenômenos como a evaporação. Uma redução de 10% no desperdício já poderia abastecer o dobro da população atual.

O que poucos sabem é que o Brasil é um caso desastroso de desperdício agrícola, “uma das maiores ineficiências na irrigação”, diz Giulio Boccaletti, autor do relatório Charting Our Water Future, publicado pela International Finance Corporation. “O Brasil gasta 14,5 milhões de metros cúbicos de água para cada mil hectares irrigados, muito mais do que a Índia, a África do Sul e a China. Só 11% das terras irrigadas brasileiras usam tecnologias eficientes”, diz o especialista. O mapa do estresse hídrico da Agência Nacional de Águas identifica dois tipos de situação crítica, a quantitativa e a qualitativa. No Nordeste, impera o estresse quantitativo, com baixa disponibilidade hídrica para atender à demanda. No Rio Grande do Sul, a alta demanda de irrigação para as culturas de arroz também configura uma situação de carência grave. Em várias cidades, há problemas com a qualidade das águas devido à poluição por esgotos. Já nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Distrito Federal e Goiânia, a crise é tanto quantitativa quanto qualitativa, porque a demanda de água aumenta com a enorme carga de esgotos não tratados jogada nos rios, comprometendo a qualidade da água e exigindo investimentos para tratamento.

O crescimento das cidades está engolindo os mananciais e poluindo as águas tanto de superfície quanto subterrâneas. “Na imensa maioria dos municípios brasileiros com menos de 50 mil habitantes, os sistemas de abastecimento são precários”, ressalta Sérgio Ayrimoraes, coordenador do Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água. “Cerca de 73% dos municípios são abastecidos por águas superficiais sujeitas a todo tipo de poluentes.”


Disponível em: http://www.revistaplaneta.com.br/o-problema-nao-e-so-falta-de-chuva/. Acesso em 21/04/2016.

No trecho “Em várias cidades, há problemas com a qualidade das águas devido à poluição por esgotos.”, o verbo grifado:


A

está incorreto, pois deveria ser flexionado para plural, concordando com problemas.


B

encontra-se no pretérito imperfeito do indicativo.


C

está correto, pois trata-se de um verbo impessoal.


D

está incorreto, pois indica possibilidade.