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Para responder às questões de 01 a 10, leia o texto abaixo.
A alma encantadora das ruas
1 ___ A alma da rua só é inteiramente sensível a horas
2 tardias. Há trechos em que a gente passa como se
3 fosse empurrada, perseguida, corrida -são as ruas em
4 que os passos reboam, repercutem, parecem crescer,
5 clamam, ecoam e, em breve, são outros tantos passos
6 ao nosso encalço. Outras que se envolvem no mistério
7 logo que as sombras descem -o Largo de Paço. Foi
8 esse largo o primeiro esplendor da cidade. Por ali
9 passaram, na pompa dos pálios e dos baldaquins
10 d'ouro e púrpura, as procissões do Enterro, do Triunfo,
11 do Senhor dos Passos; por ali, ao lado da Praia do
12 Peixe, simples vegetação de palhoças, o comércio
13 agitava as suas primeiras elegâncias e as suas
14 ambições mais fortes.
15 ___ O largo, apesar das reformas, parece guardar a
16 tradição de dormir cedo. À noite, nada o reanima, nada
17 o levanta. Uma grande revolução morre no seu bojo
18 como um suspiro; a luz leva a lutar com a treva; os
19 próprios revérberos parecem dormitarem, e as
20 sombras que por ali deslizam são trapos da existência
21 almejando o fim próximo, ladrões sem pousada,
22 imigrantes esfaimados ...
23 ___ Deixai esse largo, ide ___ ruelas da Misericórdia,
24 trechos da cidade que lembram o Amsterdam sombrio
25 de Rembrandt. Há homens em esteiras, dormindo na
26 rua como se estivessem em casa. Não nos admiremos.
27 Somos reflexos. O Beco da Música ou o Beco da
28 Fidalga reproduzem a alma das ruas de Nápoles, de
29 Florença, das ruas de Portugal, das ruas da África, e
30 até, se acreditarmos na fantasia de Heródoto, das ruas
31 do antigo Egito.
32 ___ E ___ ? Porque são ruas da proximidade do
33 mar, ruas viajadas, com a visão de outros horizontes.
34 Abri uma dessas pocilgas que são a parte do seu
35 organismo. Haveis de ver chineses bêbados de ópio,
36 marinheiros embrutecidos pelo álcool, feiticeiras
37 ululando canções sinistras, toda a estranha vida dos
38 portos de mar. E esses becos, essas betesgas ___ a
39 perfídia dos oceanos, a miséria das imigrações, e o
40 vício, o grande vício do mar e das colônias ...
Autor: João do Rio (adaptado).
Considerando os aspectos estruturais dos períodos do texto, é possível afirmar que:
Em O largo, apesar das reformas, parece guardar a tradição de dormir cedo (l. 15-16), tem-se, no mínimo, quatro orações.
Em À noite, nada o reanima, nada o levanta (l. 16-17), o sujeito é À noite.
Em O Beco da Música ou o Beco da Fidalga reproduzem a alma das ruas de Nápoles[...] (l.27- 28), o sujeito é inexistente.
Em Foi esse largo o primeiro esplendor da cidade (l. 7-8), o período apresenta a ordem verbo-sujeito-complemento.
Em Abri uma dessas pocilgas que são a parte do seu organismo (l. 34-35), o verbo abrir se configura como um verbo intransitivo, visto que não necessita de preposição para complementá-lo.