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A alternativa em que se verifica uso facultativo de...

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder às questões que a ele se referem.


Formação do educador


1-----Sonho com uma escola em que se cultivem pelo menos três coisas.

------Primeira, a sabedoria de viver juntos: o olhar manso, a paciência de ouvir, o prazer em cooperar. A sabedoria

de viver juntos é a base de tudo o mais.

------Segunda, a arte de pensar, porque é a partir dela que se constroem todos os saberes. Pensar é saber o que

5-fazer com as informações. Informação sem pensamento é coisa morta. A arte de pensar tem a ver com um

permanente espantar-se diante do assombro do mundo, fazer perguntas diante do desconhecido, não ter medo de

errar, porque os saberes se encontram sempre depois de muitos erros.

------Terceira, o prazer de ler. Jamais o hábito da leitura, porque o hábito pertence ao mundo dos deveres, dos

automatismos: cortar as unhas, escovar os dentes, rezar à noite. Não hábito, mas leitura amorosa. Na leitura

10-amorosa, entramos em mundos desconhecidos e isso nos faz mais ricos interiormente. Quem aprendeu a amar os

livros tem a chave do conhecimento.

------Mas essa escola não se constrói por meio de leis e parafernália tecnológica. De que vale uma cozinha

dotada das panelas mais modernas se o cozinheiro não sabe cozinhar? É o cozinheiro que faz a comida boa mesmo

em panela velha. O cozinheiro está para a comida boa da mesma forma como o educador está para o prazer de

15-pensar e aprender. Sem o educador o sonho da escola não se realiza.

------A questão crucial da educação, portanto, é a formação do educador. “Como educar os educadores?”

------Imagine que você queira ensinar a voar. Na imaginação tudo é possível. Os mestres do voo são os pássaros.

Aí você aprisiona um pássaro numa gaiola e pede que ele o ensine a voar. Pássaros engaiolados não podem ensinar

o voo. Por mais que eles expliquem a teoria do voo, só ensinarão gaiolas.

20----Marshal McLuhan disse que a mensagem, aquilo que se comunica efetivamente, não é o seu conteúdo

consciente, mas o pacote em que a mensagem é transmitida. “O meio é a mensagem.” Se o meio para se aprender

o voo dos pássaros é a gaiola, o que se aprende não é o voo, é a gaiola.

------Tenho a suspeita de que se pretendem formar educadores em gaiolas idênticas àquelas que desejamos

destruir. Aplicando-se essa metáfora à educação, podemos dizer que a mensagem que educa não são os conteúdos

25-curriculares, a teoria que se ensina nas aulas, educação libertária etc. A mensagem verdadeira, aquilo que se

aprende, é o “embrulho” em que esses conteúdos curriculares são supostamente ensinados.

------Os alunos se assentam em carteiras. Professores dão aulas. Os alunos anotam. Tudo de acordo com a

“grade curricular”. “Grade” = “gaiola”. Essa expressão revela a qualidade do “espaço” educacional em que vivem os

aprendizes de educador.

30----O tempo do pensamento também está submetido às grades do relógio. Toca a campainha. É hora de pensar

“psicologia”. Toca a campainha. É hora de parar de pensar “psicologia”. É hora de pensar “método”...

------Os futuros educadores fazem provas e escrevem papers pelos quais receberão notas que lhes permitirão

tirar o diploma que atesta que eles aprenderam os saberes que fazem um educador.

------Desejamos quebrar as gaiolas para que os aprendizes aprendam a arte do voo. Mas, para que isso

35-aconteça, é preciso que as escolas que preparam educadores sejam a própria experiência do voo.


Disponível em: https://www.revistaeducacao.com.br/formacao-do-educador-coluna-rubem-alves/. Acesso em 4 de jan. de 2020.

A alternativa em que se verifica uso facultativo de próclise é


A

“Segunda, a arte de pensar, porque é a partir dela que se constroem todos os saberes.” (Linha 4)


B

“Se o meio para se aprender o voo dos pássaros é a gaiola [...]” (Linhas 21-22)


C

“Mas essa escola não se constrói por meio de leis e parafernália tecnológica.” (Linha 12)


D

“Tenho a suspeita de que se pretendem formar educadores em gaiolas [...]” (Linha 23)


E

“[...] entramos em mundos desconhecidos e isso nos faz mais ricos interiormente.” (Linha 10)