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Texto para os itens de 1 a 20.
1____-_A saúde bucal dos brasileiros já foi pior, entretanto mais de 40% da população acima de 60 anos de idade já
perderam todos os dentes, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, feita pelo IBGE em 2013, a pedido do Ministério da
Saúde.
4_____- A última Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, feita em 2010, apresentou dados que ilustram a desigualdade
socioeconômica brasileira. O levantamento, feito com 37.519 pessoas de todas as regiões do País, mostrou que a saúde
bucal das populações do Sul e do Sudeste é bem melhor que a das do Norte, Nordeste e Centro-Oeste em relação à
7____-_prevalência de cárie, uso de prótese dentária e condição periodontal (gengivas), por exemplo.
Crianças, adolescentes, adultos e idosos das áreas mais pobres do Brasil passam por problemas e situações que
os mais ricos deixaram de vivenciar há décadas.
10_____Segundo a pesquisa do IBGE, 11% dos brasileiros, quase 16 milhões de pessoas, não têm nenhum dente e, segundo
a Pesquisa de Saúde Bucal, 15,4% dos entrevistados usam próteses dentárias nos dois maxilares. A diferença entre as
regiões brasileiras é enorme: enquanto na região Sul 6,9% dos avaliados não tinham nenhum dente, na região Norte esse
13 índice chegou a 17,6%.
O professor-doutor Antônio Carlos Frias, da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, destaca
também a diferença entre as faixas etárias. “Políticas públicas demoram um tempo para alcançar resultados visíveis.
16 Embora tenha havido melhora nos índices de saúde bucal nos últimos anos, eles ainda não são observáveis entre os mais
velhos, que não tiveram acesso a serviços odontológicos na infância e na juventude, o que justificaria o alto número de
pessoas com mais de 60 anos de idade com próteses totais”.
19_____A desigualdade social refletida nos dentes dos brasileiros chamou a atenção da antropóloga Rosana
Pinheiro-Machado, professora de desenvolvimento internacional da University of Bath, na Inglaterra. Há cerca de dez anos,
enquanto fazia uma pesquisa sobre consumo na periferia de Porto Alegre (RS), Rosana observou a enorme quantidade de
22 pessoas com dor de dente. “As pessoas das classes populares estão sempre com dor de dente. Elas vivem em sofrimento
e quase ninguém fala disso. Dor de dente é um drama e um tabu entre os brasileiros”, conta.
A incidência de cárie dentária vem diminuindo e hoje o número de pessoas com o problema é cerca de um terço
25 menor que no início dos anos 1990. Mesmo assim, apenas 46,6% das crianças de 5 anos de idade e 0,9% dos adultos de 35
a 44 anos de idade não têm cárie, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal.
Dentistas que atendem as populações das classes A e B em consultórios privados costumam dizer que quase não
28 tratam mais cáries. Muitos se concentram em tratar problemas ortodônticos e estéticos. Nas populações mais carentes,
porém, a cárie ainda é um problema comum. De acordo com o dr. Frias, o problema tem influência de alguns fatores
culturais, como o fato de muitos pais acharem que dentes de leite não requerem escovação porque não são definitivos,
31 ou por simplesmente não terem o hábito de escovar os dentes. Essa população também consome mais açúcar e
refrigerantes, o que aumenta o risco de desenvolver cárie.
A falta de acesso a água fluorada (a adição de flúor à água ajudou muito a reduzir a prevalência de cáries no País)
34 e a serviços de saúde que auxiliem na prevenção e no tratamento de problemas bucais é fator agravante.
O Brasil Sorridente, uma política do governo federal com o objetivo de ampliar o atendimento e melhorar as
condições de saúde bucal da população brasileira, implementada em 2004, para organizar o sistema de atendimento
37 odontológico no País, foi a primeira política nacional de saúde bucal da história do Brasil. “O programa ajudou a instaurar
um sistema de saúde bucal no País inteiro, com serviços que cobrem 40% da população, incluindo 33 centros que atendem
a população indígena”, relata o professor Frias.
40_____No entanto, o País ainda enfrenta uma das maiores dificuldades para de fato fornecer acesso a atendimento
odontológico de qualidade: a má distribuição geográfica de profissionais. O Conselho Federal de Odontologia (CFO) afirma
que, em 2018, o País contava com 578.306 dentistas, mas 59% se localizavam na região Sudeste (que concentra 38% da
43 população do País). Para deixar mais clara a diferença de concentração de profissionais, havia 147.209 dentistas em São
Paulo, em 2018, enquanto o Piauí tinha 6.612 profissionais e o Acre, 2.073, de acordo com o CFO.
Houve avanços nas políticas públicas de acesso aos tratamentos odontológicos, que também evoluíram muito nas
46 últimas décadas. No entanto, milhões de brasileiros ainda sofrem de dor e perdem os dentes devido a problemas bucais
que, na maioria das vezes, poderiam ser atenuados ou evitados com políticas de prevenção e atendimento qualificado a
que os mais ricos têm acesso. Não é exagero afirmar, portanto, que a dimensão da desigualdade social brasileira pode ser
49 medida pela boca da população.
Internet: <www.drauziovarella.uol.com.br> (com adaptações).
Em relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue os itens de 1 a 11.
Os vocábulos “saúde”, “País”, “Piauí” e “evoluíram” são acentuados graficamente de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.
Certo
Errado