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Texto 7
01------------Ele foi cavando, cavando, pois sua profissão – coveiro – era cavar. Mas, de repente, na
02---distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não
03---conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que sozinho não conseguiria sair. Gritou.
04---Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, cansou de
05---esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A noite chegou,
06---subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não
07---se ouvia um som humano, embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais
08---do mato. Só pouco depois da meia-noite é que lá vieram uns passos. Deitado no fundo da
09---cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima,
10---perguntou o que havia: “O que é que há?”
11------------O coveiro então gritou desesperado: “Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio
12---terrível!” – “Mas, coitado!” – condoeu-se o bêbado. – “Tem toda a razão de estar com frio.
13---Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho!” E, pegando a pá, encheu-a de
14---terra e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.
15---Moral: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem apela.
FERNANDES, Millôr. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991. p. 13.
Com base no texto 7 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, assinale a alternativa correta.
Em “Ele foi cavando, cavando, pois sua profissão – coveiro – era cavar”, “foi” e “era” correspondem a flexões do verbo ‘ser’ no pretérito perfeito e no imperfeito, respectivamente.
A “Moral” da fábula explicita o ensinamento transmitido a partir da história, o de que devemos ser cuidadosos sobretudo nas situações mais difíceis.
A fábula de Millôr explora o sentido da solidariedade do bêbado e da gratidão do coveiro.
O uso do substantivo “mortinho” no diminutivo (linha 13) evidencia que o coveiro era um homem de baixa estatura.
O bêbado atende adequadamente o pedido do coveiro.