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Texto para as questões de 1 a 10.
1 Uma das principais premissas da alquimia era que os antigos possuíam as chaves do Universo, mas esse
conhecimento teria sido perdido e precisaria ser redescoberto.
A julgar pelo primeiro tratado prático de alquimia, escrito no século III pelo egípcio Zósimo de Panópolis, há alguma
4 verdade nisso.
Zósimo cita amplamente as obras de uma mulher considerada como a primeira alquimista verdadeira do mundo
ocidental, a mãe da alquimia. E ele não é o único.
7 Ela era conhecida por muitos nomes: Maria Hebraica, Maria Judia, Maria Profetisa e até Miriam Profetíssima, irmã
de Moisés.
Em relação às suas realizações, Maria concebeu bases teóricas para a alquimia.
10 O médico francês Jean-Chrétien-Ferdinand Hoefer, famoso por obras sobre a história da ciência, atribui a ela uma
das descobertas mais importantes da química: o ácido clorídrico.
Ele também garante que ela estudou os compostos de enxofre e criou o processo para fabricar sulfeto de prata,
13 o que os artistas chamam de nielo, um composto preto fosco frequentemente usado para tratamento de metais.
No entanto, para muitos, seu grande legado foi a invenção de equipamentos de laboratório. Em seu tratado, Zósimo
atribui a Maria três peças cruciais.
16 A primeira, que ele dizia copiar o processo de destilação da natureza, se tornou um item básico nos laboratórios
modernos de química. Era um aparelho de parede dupla, equipado com pés que podiam ser colocados no fogo. Com o
recipiente externo cheio de água, o material a ser transmutado podia ser colocado na câmara interna, na qual sua
19 temperatura não excederia o ponto de ebulição da água. Era conhecido como o balneum mariae — você provavelmente o
conhece como “banho Maria”.
A vantagem do procedimento é que facilita o aquecimento gradual de uma substância e a mantém a uma
22 temperatura constante de 100 °C ou menos.
O segundo dispositivo era o kerotaki, um cilindro fechado em cujo fundo havia uma chama que aquecia uma
plataforma no centro do forno, no qual era colocada uma massa de mercúrio ou enxofre. A fumaça subia através dos
25 orifícios e alcançava um pedaço de prata ou outro mineral com metais preciosos escondidos no interior.
Os kerotakis foram usados pelos alquimistas para produzir ligas, especialmente a imitação de ouro mais
bem-sucedida, usada até recentemente pelos joalheiros como substituto para o metal precioso.
28 Havia também os tribikos ou alambiques de três cabeças, que serviam para separar as substâncias dos líquidos, de
forma a permitir a coleta do destilado por três pontos de uma vez.
O líquido era derramado em um recipiente de cerâmica, que era aquecido. O vapor passava para outro recipiente,
31 no qual esfriava e se separava em líquidos que passavam por três tubos de cobre e caíam em recipientes de vidro — um
material que Maria apreciava especialmente porque lhe permitia “ver sem tocar”.
A alquimista deixou instruções para construir seus tribikos, detalhando como fazer tubos de cobre a partir de uma
34 placa de metal e recomendando o uso de pasta de farinha para selá-los.
Embora a revolução científica tenha feito o progresso da alquimia para a química, recipientes de vidro e tubos de
cobre continuaram a ser utilizados no processo de destilação.
BBC News | Brasil. Maria, a Profetisa: as criações da mãe da alquimia que ainda são
usadas, 20 séculos depois. Internet: <https://www.bbc.com> (com adaptações).
No trecho “você provavelmente o conhece como ‘banho Maria’” (linhas 19 e 20), a colocação do pronome “o” anteposto ao verbo, chamada de próclise, pode ser corretamente justificada pela
presença do advérbio “provavelmente”.
flexão verbal.
função desempenhada pelo pronome.
coesão textual.
regência verbal.