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Leia o texto abaixo para responder às questões de 21 a 23.
Educação profissional: a sina do patinho feio
Ainda sem mobilizar a opinião pública, a educação técnica e profissional renasce a partir de diferentes ações dos estados e ganha nova possibilidade com a reforma do ensino médio
No conjunto do ensino público brasileiro, a Educação Profissional Técnica de Nível Médio (EPT) tem sido, historicamente, o patinho feio de uma história de pouco encanto. Não ocupa as manchetes dos jornais, seu declínio até quase a extinção pouco mobilizou a sociedade, seus problemas não movimentam políticos, não provocam grandes congressos, nem fazem brilhar os olhos das edtechs - não, pelo menos, da forma como ocorre na educação básica regular e no ensino superior.
Com tanto tempo de estagnação, o resultado dessa história pode ser contado em números que ilustram como o mundo desenvolvido seguiu a direção contrária e vem dando crescente atenção ao tema. Segundo os dados mais recentes do Education at Glance 2021, relatório sobre educação global publicado pela OCDE, apenas 9% dos concluintes de ensino médio no Brasil estão em cursos profissionalizantes - contra 38%, em média, nos países que integram a organização de nações desenvolvidas. No outro extremo da lista estão países como a Áustria, com 76%, a Suíça, Reino Unido e Eslováquia, com mais de 60% dos formandos prontos para ingressar no mundo do trabalho.
Para muita gente, o insucesso das políticas para o setor no Brasil parece um drama sem fim. É claro, existem casos de excelência - que atendem pelo nome de Senai, Senac, Institutos Federais de Educação, Fundação Paula Souza. Mas o fato é que essa opção nunca conseguiu se estabelecer como uma alternativa real para 80% dos alunos brasileiros que não tiveram a oportunidade de chegar ao maior sonho de ascensão social - a universidade. Pior, devido à qualidade acima da média, muitas instituições públicas que oferecem EPT atraem as classes médias, provocam filas, seleção de melhores alunos que, ao final, consideram a passagem pela escola técnica apenas um pedágio para chegar mesmo aonde sonhavam, a universidade.
Mas, há sinais de mudança no horizonte. Eles chegam por meio de iniciativas dos estados, como o Ceará, Piauí, Pernambuco e Paraíba, e podem ganhar novo fôlego com a implantação do novo ensino médio, que começa oficialmente a acontecer em 2022. Um dos objetivos de fundo da reforma estabelecida em lei de 2017 é justamente o impulsionamento da EPT na forma do itinerário formativo, na lógica da flexibilização curricular.
Claro, tudo depende da forma como isso vai acontecer. Mas, pelo menos, o debate volta à mesa. Como era de se esperar, entre as muitas mudanças trazidas pela reforma desta etapa, a abertura de espaço curricular para a educação profissional de forma integrada ao currículo geral foi a que menos chamou a atenção pública, mas trouxe de novo o debate à tona, mobilizando pesquisadores, que produzem estudos, mobilizando organizações sociais e também governos, especialmente os estaduais.
Mas, por que é tão difícil levar adiante um projeto de educação técnica e profissional? Acontece que este é um processo que depende de múltiplos fatores, como articulação entre instâncias de governo e setores produtivos, mas esbarra ainda mais fortemente em uma mudança de chave cultural.
A educação profissional carrega um estigma secular, que separa a educação de ricos e pobres. No Brasil, já na primeira iniciativa, em 1909, com o presidente Nilo Peçanha, a EPT foi ofertada como uma ação pelos desvalidos, para dar ao povo ao menos uma ocupação - possivelmente aquela em que estacionaria o resto da vida.
Apesar dos esforços dos muitos militantes da educação profissional, do movimento da Escola Nova, do surgimento do chamado Sistema S e de diferentes iniciativas, até hoje pouco mudou na percepção social: para boa parte da sociedade, a escola regular deve preparar para a universidade, caminho das elites; a educação técnica é o caminho do trabalhador braçal.
Adaptado de
https://revistaeducacao.com.br/2022/03/10/educacao-profissional-capa/
Assinale a alternativa cuja pontuação alterada NÃO causou prejuízo gramatical ou de sentido à sentença retirada do texto.
Um dos objetivos de fundo da reforma estabelecida em lei de 2017, é justamente o impulsionamento da EPT, na forma do itinerário formativo na lógica da flexibilização curricular.
A educação profissional, carrega um estigma secular que, separa a educação de ricos e pobres.
(...) a EPT foi ofertada como uma ação pelos desvalidos, para dar ao povo ao menos uma ocupação, possivelmente aquela em que estacionaria o resto da vida.
Mas, por que, é tão difícil levar adiante um projeto de educação técnica, e profissional?
(...) o resultado dessa história, pode ser contado em números que ilustram como o mundo desenvolvido seguiu a direção contrária e vem dando crescente atenção ao tema.