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Em “Se um quer roubar o ouro da mina do pai da mocinha, o...

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Faroeste


Naquele tempo o mocinho era bom.

Puro do cavalo branco até o chapelão imaculado. A camisa limpa, com estrela de xerife. Luvas de couro, tímido e olho baixo. Namorando a mocinha, cisca nas pedras e espirra estrelinha com a espora da botina.

Nunca despenteia o cabelo nas brigas. Defende órfão e viúva. Com os brutos, implacável porém justo.

Frequenta o boteco pra chatear os bandidos. Bebe um trago e disfarça a careta. Atira só em legítima defesa. O mocinho é sempre mocinho, nunca brinca de bandido.

Ah, o vilão todo de preto, duas pistolas no cinto prateado e um punhal (escondido) na bota – o segundo mais rápido do oeste. Bigodinho fino, risadinha cínica. Bebe, trapaceia no jogo. Cospe no chão. Mata pelas costas.

Covarde, patético, chora na cadeia. E morre, bem feito!, na forca.

Qual dos dois é o vilão hoje?

Se um quer roubar o ouro da mina do pai da mocinha, o outro também.

Sem piscar, um troca a mocinha pelo cavalo do outro.

Os punhos nus eram a arma do galã. Hoje briga sujo. Inimigo vencido, a cara no pó? Chuta de letra o nariz até esguichar sangue.

Costeleta e bigodinho ele também. Sem modos, entra de chapelão na casa do juiz. Corteja a heroína, já viu, aparando as unhas? Pífio jogador de pôquer, o toque na orelha esquerda significa trinca de sete.

A cada estalido na sombra já tem o dedo no gatilho – seu lema é atire primeiro e pergunte depois. Você por acaso fecha o olho do bandido que matou? Nem ele.

E a mocinha, de cachinho loiro e tudo, que vergonha!

Começa que moça direita nunca foi. Cantora fuleira de cabaré, gira a valsa do amor nos braços de um e de outro.

Por interesse, casa com o chefão do bando. Casa com o pai do mocinho. Até com o mocinho ela casa.

Deixa estar, guri não é trouxa. Torce pelo bandido.


(TREVISAN, Dalton. O beijo na nuca. Rio de Janeiro: Record, 2014. P.66-67)

Em “Se um quer roubar o ouro da mina do pai da mocinha, o outro também.”(8º), encontra-se a seguinte figura, favorecendo a estrutura do texto:


A

anáfora


B

zeugma


C

polissíndeto


D

silepse