Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Por Fábio Marton
- A Idade Média veio de uma cultura patriarcal e continuou patriarcal, não há o que discutir.
- Como as classes sociais, os papéis das mulheres eram vistos rigidamente, biblicamente
- determinados, sempre citadas as ideias do apóstolo Paulo, em I Coríntios 11:3, que não deixam
- muito espaço para a interpretação: “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o
- homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo”.
- Mas a relação não é simplesmente a de vítimas passivas sofrendo de opressão imutável.
- As ideias medievais sobre as mulheres têm um contrapeso no papel da própria Virgem Maria, a
- figura terrena mais importante de toda a cristandade então, cujo culto foi crescendo ao longo do
- período. Com um limite expressado pelo Papa Inocêncio 3º em 1210: “Não obstante o quanto a
- mais abençoada Virgem Maria esteja acima, e é mais ilustre que todos os apóstolos juntos, não
- foi a ela, mas a eles, que o Senhor confiou as chaves do Reino dos Céus”. Santidade sim,
- autoridade, nunca.
- Na ponta oposta estava outra figura bíblica: Eva, a tentadora, a que aceitou a maçã da
- Serpente e a entregou a Adão, causando a queda da humanidade. Santo Agostinho, ainda no
- século V, assim se expressava: “Não será por que ele [Adão] não podia acreditar [na Serpente]
- que a mulher foi apresentada [ao fruto proibido]; ela que tinha pouca inteligência e talvez vivesse
- de acordo com o senso corporal e não de acordo com o senso da mente?”.
- Ao fim da Idade Média, o infame “Malleus Maleficarum”, o guia de caçar bruxas, mostrava
- como a ideia só havia se reforçado: “Apesar do Diabo ter tentado Eva a pecar, foi Eva que seduziu
- Adão. O pecado de Eva não teria trazido morte para nosso corpo e alma se o pecado não tivesse
- sido transmitido depois a Adão, sendo tentado por Eva, não pelo Diabo; portanto ela é mais
- amarga que a morte”. A compreensão dos homens medievais sobre as mulheres era determinada
- por essa dualidade: imaculada e assexuada como a Virgem, ou uma tentadora sexualizada como
- Eva.
- No começo da Idade Média, mulheres sequer respondiam juridicamente. Era o marido que
- podia ser julgado por falhas da esposa. A partir do ano 1000, elas começam a aparecer como
- rés em processos penais, sem uma decisão formal, mas uma mudança de jurisprudência. Estupro
- também era inicialmente considerado uma ofensa contra o marido ou o pai, com leis na
- Dinamarca, em 1170, sendo as primeiras a reconhecer um crime contra a mulher. Em geral, por
- todo o período, havia uma enorme desconfiança de que a vítima havia “tentado” o estuprador.
- Mas a família medieval não era uma família dos anos 1950. Mulheres trabalhavam em
- ofícios externos, num esquema de dupla jornada. Além de cuidar dos filhos, fazer roupas,
- começando pelo tear, e até cerveja – ofício tido por feminino, como uma forma de cozinha, até
- o século XV –, camponesas tinham que ajudar na colheita e mulheres e filhas de artesãos e
- comerciantes urbanos ajudavam no trabalho ou na loja, servindo em estalagens e tavernas.
- Quando o marido morria, elas herdavam o negócio.
(Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/a-mulher-medieval/– texto adaptado especialmente para esta prova).