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TEXTO I
Carta
_______ Nela [terra], até agora, não pudemos saber que haja
___ ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem
___ lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim
___ frios e temperados, como os de Entre Douro e Minho,
5 __porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
___ As águas são muitas; infindas. E em tal maneira é
___ graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo,
___ por bem das águas que tem.
___ Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me
10 _parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a
___ principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.
___ E que aí não houvesse mais que ter aqui esta
___ pousada para esta navegação de Calecute, bastaria.
___ Quando mais disposição para se nela cumprir e fazer o que
15 _Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da
___ nossa santa fé.
(CAMINHA, Pero Vaz de. “Carta”. In: PEREIRA, Paulo Roberto Dias. (Org.) Os três únicos testemunhos do descobrimento do Brasil. Rio de Janeiro: Lacerda Ed., 1999, p. 58.)
TEXTO II
Canção do exílio
(Gonçalves Dias)
_____ Minha terra tem palmeiras,
_____ Onde canta o Sabiá;
_____ As aves, que aqui gorjeiam,
4 ____Não gorjeiam como lá.
_____ Nosso céu tem mais estrelas,
_____ Nossas várzeas têm mais flores,
_____ Nossos bosques têm mais vida,
8 ____Nossa vida mais amores.
_____ Em cismar, sozinho, à noite,
_____ Mais prazer encontro eu lá;
_____ Minha terra tem palmeiras,
12 ___Onde canta o Sabiá.
_____ Minha terra tem primores,
_____ Que tais não encontro eu cá;
_____ Em cismar – sozinho, à noite –
_____ Mais prazer encontro eu lá;
_____ Minha terra tem palmeiras,
18 ___Onde canta o Sabiá.
_____ Não permita Deus que eu morra
_____ Sem que eu volte para lá;
_____ Sem que desfrute os primores
_____ Que não encontro por cá;
_____ Sem qu’inda aviste as palmeiras,
24 ___Onde canta o Sabiá.
Coimbra, julho de 1843
(BARBOSA, Frederico (Org.). Clássicos da poesia brasileira – antologia da poesia brasileira anterior ao Modernismo. São Paulo: O Estado de São Paulo/Klick Editora, 1997, p. 66-67.)
TEXTO III
A Pátria
____ Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
____ Criança! não verás nenhum país como este!
____ Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
____ A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
5 ___É um seio de mãe a transbordar carinhos.
____ Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
____ Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
____ Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
____ Vê que grande extensão de matas, onde impera
10 __Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
____ Boa terra! jamais negou a quem trabalha
____ o pão que mata a fome, o teto que agasalha...
____ Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
____ Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
15__Criança! não verás país nenhum como este:
____ Imita na grandeza a terra em que nasceste!
(BILAC, Olavo. Poesias infantis. Rio de Janeiro, Minas, São Paulo: Francisco Alves & Cia,1904, p. 114-115.
TEXTO IV
Canção do expedicionário
(Guilherme de Almeida)
_____ Você sabe de onde eu venho?
_____ Venho do morro, do Engenho,
_____ Das selvas, dos cafezais,
_____ Da boa terra do coco,
5 ____Da choupana onde um é pouco
_____ Dois é bom, três é demais,
_____ Venho das praias sedosas,
_____ Das montanhas alterosas,
_____ Dos pampas, do seringal,
10 ___Das margens crespas dos rios,
_____ Dos verdes mares bravios
_____ Da minha terra natal.
_____ Por mais terras que eu percorra,
_____ Não permita Deus que eu morra
15 ___Sem que volte para lá;
_____ Sem que leve por divisa
_____ Esse “V” que simboliza
_____ A vitória que virá:
_____ Nossa vitória final,
20 ___Que é a mira do meu fuzil,
_____ A ração do meu bornal,
_____ A água do meu cantil,
_____ As asas do meu ideal,
_____ A glória do meu Brasil.
25 ___Você sabe de onde eu venho?
_____ É de uma Pátria que eu tenho
_____ No bojo do meu violão;
_____ Que de viver em meu peito
_____ Foi até tomando jeito
30 ___De um enorme coração.
_____ Deixei lá atrás meu terreiro,
_____ Meu limão, meu limoeiro,
_____ Meu pé de jacarandá,
_____ Minha casa pequenina
35 ___Lá no alto da colina
_____ Onde canta o sabiá.
_____ /
(POLÍCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL. Departamento de Educação e Cultura. Disponível em https://dec.pm.df.gov.br/images/pdf/Hinos_e_Cancoes_Militares _-_reduzido.pdf. Acesso em 24/03/2022.)
Analise a definição do substantivo “exílio”, extraída do dicionário Novo Aurélio Século XXI:
exílio (z). [Do lat. exiliu.] S. m. 1. Expatriação, forçada ou voluntária; degredo, desterro. 2. O lugar onde reside o exilado. 3. Fig. Lugar afastado, solitário, ou desagradável de habitar.
Sobre a possibilidade de interpretação desses sentidos nos textos I, II, III e IV desta prova, assinale a alternativa INCORRETA.
No texto I, Pero Vaz de Caminha, na descrição da terra em que se encontra, caracteriza-a como “Lugar afastado, solitário, ou desagradável de habitar”.
No texto II, o “lugar onde reside o exilado” está marcado pelo advérbio “cá”.
No texto III, não são encontradas evidências de que o eu lírico esteja passando por uma situação de exílio conforme definida pelo Dicionário.
Considerando os substantivos “fuzil”, “mira”, “bornal” e “cantil”, pode-se inferir que o exílio do eu lírico do texto IV é um lugar “desagradável de habitar”.