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Texto para questão 30.
“Eros e Psique”
Conta a lenda que dormia Uma Princesa encantada A quem só despertaria Um Infante, que viria Do além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado, Vencer o mal e o bem, Antes que, já libertado, Deixasse o caminho errado Por o que à Princesa vem.
A Princesa adormecida, Se espera, dormindo espera. Sonha em morte a sua vida, E orna-lhe a fronte esquecida, Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado, Sem saber que intuito tem, Rompe o caminho fadado. Ele dela é ignorado. Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino – Ela dormindo encantada, Ele buscando-a sem tino Pelo processo divino Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro Tudo pela estrada fora, E falso, ele vem seguro, E, vencendo estrada e muro, Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera, À cabeça, em maresia, Ergue a mão , e encontra hera, E vê que ele mesmo era A Princesa que dormia. (Fernando Pessoa)
O poema, na sua última estrofe, traz uma situação conflituosa com um desfecho surpreendente, expresso no seguinte verso: “E vê que ele mesmo era”. Analisando a afirmação é possível afirmar que se constitui em uma figura de linguagem, denominada:
Personificação.
Antítese.
Paradoxo.
Eufemismo.
Metonímia.