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O Brasil nacionalista
01 ____Se pudéssemos fazer uma terapia de grupo entre países, surgiriam comportamentos reveladores
02 durante as sessões. Haveria aquele país que mal notaria a existência dos outros [...]. Claro que haveria também
03 países menos problemáticos, como o Chile ou a Suíça, contentes com a sua pouca relevância. Não seria o caso
04 do Brasil, paciente que sofreria de diversos males psicológicos. Bipolar, oscilaria entre considerações muito
05 negativas e muito positivas sobre si próprio. Obcecado com sua identidade, em todas as sessões aborreceria os
06 colegas perguntando “Quem sou eu?”, “Que imagem eu devo passar?”, “O que me diferencia de vocês?”.
07____Muito mais do que entre habitantes de outras pátrias, a identidade nacional foi sempre um problema
08 psicanalítico no Brasil. Construída sob traumas, a imagem que os brasileiros têm de si próprios oscilou entre
09 extremos.
10____Até a década de 1930, tudo aquilo que hoje achamos naturalmente brasileiro – o samba, a feijoada, a
11 capoeira, o futebol – não eram ícones da identidade nacional. Considerava-se a feijoada um prato regional
12 como o barreado ou o acarajé. Nas colônias de imigrantes, pouca gente falava português [...]. Os brasileiros
13 não se reconheciam. O futebol era um estrangeirismo que muitos intelectuais reprovavam como um povo
14 alegre e cordial – e o mundo também não associava essa característica ao Brasil. A falta de identidade era
15 considerada um problema desde os tempos do Império e se agravou com a República. Quando os militares
16 derrubaram a monarquia, em 1889, acabaram com uma das poucas coisas em comum entre os brasileiros – o
17 fato de serem súditos de dom Pedro II. O Brasil, sem a coroa, tinha ficado sem cara.
18 ____Os brasileiros também tinham vergonha de si próprios.
NARLOCH, Leandro. Guia politicamente incorreto da história do Brasil. Rio de Janeiro: Leya, 2011, p. 150-152.
Este extrato “O futebol era um estrangeirismo que muitos intelectuais reprovavam” (l. 13) compõe-se de:
uma oração principal e de uma oração subordinada adjetiva.
duas orações coordenadas: uma assindética e outra sindética.
uma oração coordenada assindética e de uma oração subordinada substantiva.
duas orações subordinadas, sendo a primeira substantiva e a segunda, adjetiva.