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INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 1 a seguir para responder às questões que a ele se referem.
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Texto 1
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A complicada arte de ver
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1 ---------Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que
ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas,
os tomates, os pimentões – é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já
fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive
5 --um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo
neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a
ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os
tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”
---------Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes
10 --Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é
comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de
água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver”.
---------Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais
fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de
15 --fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
---------William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso
por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma
epifania do sagrado. [...]
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Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u947.shtml. Acesso em: 24 mar. 2022. Adaptado.
A alternativa em que o uso do sinal indicativo de crase é resultado da fusão da preposição “a” com a vogal “a” é
“Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as ‘Odes Elementales’ [...]” (Linhas 9-10)
“Procurei a ‘Ode à Cebola’ e lhe disse [...]” (Linha 10)
“Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro [...]” (Linha 11)
“A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica [...]” (Linha 14)
“Mas existe algo na visão que não pertence à física.” (Linha 15)