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“Nós somos estéreis” A palavra grifada, considerando o...

Para responder às questões de 12 a 15, leia o texto a seguir.


A revelação


Bom dia, eu sou Fernão Lopes e estes são Toynbee, Gibbon, Tácito, Tucidides e Heródoto. Nós viemos para lhes falar um pouco sobre a nossa história, para que vocês compreendam o porquê da vinda de vocês. Bem, nosso mundo, que é o futuro do de vocês, viveu uma revolução tecnológica espetacular. Aos poucos, os computadores invadiram nossas vidas e se tornaram essenciais para a nossa sobrevivência.

Isso ocorreu devido a um minicomputador poderoso e baratíssimo que, ligado nos aparelhos de televisão transformaram-nas em terminais de vídeo, propiciando conexão imediata a um gigantesco computador, que passou a monitorar toda a vida dos seres humanos no mundo inteiro. Ninguém mais podia desligar as televisões. Todos aqueles que ousaram sumiram. Foi criada a Rede Mundo.

Um sistema poderosíssimo de comunicação fez com que o mundo inteiro coubesse na televisão, agora transformada em vídeo de computador. Com isso, tudo que necessitássemos bastava solicitar via computador e nos era entregue em casa. O comércio real foi substituído pelo comércio virtual. Mais tarde as relações humanas também. O ser humano passou a viver isolado, hipnotizado pela tela que a tudo supria.

No entanto, nem todos compartilhavam com esse novo sistema de vida e passaram a se reunir para discutir o que estava acontecendo. Entre essas pessoas, destacavam-se os que gostavam da leitura e os que gostavam de ouvir música clássica. Muitas vezes eram as mesmas pessoas. Perceberam que o homem perdera a sua característica humana essencial: os sentimentos, a emoção, a apreciação da arte, a imaginação.

Ninguém mais sabia o que era amizade, sociabilidade, alegria, humor, brincadeira, amor, solidariedade. O homem se transformara num ser opaco, sem vida, um autômato, uma máquina que trabalhava, comia, assistia a vídeo e dormia, porque até mesmo a vida sexual das pessoas fora abolida. Agora o sexo era virtual porque a maior epidemia do século XXI, AIDS, dizimara quase toda a população africana e grande parte da população mundial.

Todos viviam isolados.

Além disso, a mulher perdeu a capacidade de gerar e cuida dos filhos. Foi a derrota final para a raça humana. A partir de então, o homem era apenas um produtor de sêmen e a mulher de óvulo. Tudo era depositado no Centro de Fecundação e congelados. Depois disso, homens e mulheres eram esterilizados. Nos Centros, as crianças eram geradas em gigantescos laboratórios. Dali seguiam para os Centros de Educação Integral Quando morria alguém, logo outro era posto em seu lugar Como uma peça de reposição. Acabaram as noções de dia, mês ano, país, nacionalidade, cultura. Tudo passou a ser uniforme. Ninguém mais sabia ler, escrever, pensar.

Criaram uma língua universal, o Desesperanto. Bastava seguir as instruções ditadas pelas máquinas na nova língua para ter acesso às coisas. Todos os livros, todas as obras de arte foram destruídos. Não sobrou nada.

No fim houve a resignação geral. No entanto, aqueles que amavam a leitura e os livros, passaram a escondê-los e a decorar aqueles que mais amavam. Com o tempo, formaram uma sociedade secreta de difusão de leitura e do amor aos livros. Começaram a agir para recrutar novos protetores dos livros entre a população.

O escolhido, depois de efetuadas as verificações de segurança, passava a aprender a ler, escrever e raciocinar sobre aquilo que leu. Mais tarde tomava parte dos grupos de discussão e tinha acesso aos livros. Devia ler todos os livros de seu núcleo e escolher um para decorar e conduzir para as nossas comunidades. Antes de partir, devia conseguir seu substituto entre os sonâmbulos que vegetavam na sociedade humana inútil.

Muitos foram descobertos e foram eliminados. As cidades foram fechadas. Ninguém mais entrava ou saía. Alguns conseguiram fugir carregando muitos livros. Os livros e seus proprietários eram queimados. Muitos ficaram para continuar a pregação ao redor do amor aos livros e a leitura. Os que fugiram fundaram comunidades como esta.

Cada um de nós tem o nome do escritor da obra que decorou.

Nós somos estéreis. Estamos morrendo de velhice e não há ninguém que possa nos substituir. O futuro da nossa civilização se encontra nas mãos de vocês. Por hoje é só. Amanhã vocês saberão como poderão nos ajudar.


(In: SILVA, J. C. da. Pai, posso dar um soco nele? Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObra Form.do?select action=&co obra=125934. Acesso em: 29 maio 2022)

“Nós somos estéreis” A palavra grifada, considerando o contexto da narrativa, pode ser substituída por:


A

Fracos.


B

Doentes.


C

Velhos.


D

Inférteis.


E

Insubstituíveis.