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Sobre o poema em forma de oração é possível afirmar que:

Oração do milho


Senhor, nada, valho

Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras

pobres.

Meu grão, perdido por acaso,

nasce e cresce na terra descuidada.

Ponho folhas e haste e se me ajudares, Senhor,

mesmo planta de acaso solitária,

dou espigas e devolvo em muitos grãos

o grão perdido inicial, salvo por milagre,

que a terra fecundou.

Sou planta primaria da lavoura.

Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo

e de mim não se faz o pão alvo universal.

O Justo não me consagrou Pão de Vida, nem lugar me foi

dado nos altares.

Sou apenas o alimento forte e substancial dos que trabalham

na terra, onde não vinga o trigo nobre.

Sou de origem obscura e de ascendência pobre,

alimento de rústicos e de animais de jugo.


Quando os deuses da Hélade corriam pelos bosques

coroados de rosas e de espigas, quando os hebreus iam em

longas caravanas

buscar na terra do Egito o trigo dos faraós, quando Rute

resgava cantando nas searas de Booz

e Jesus abençoava os trigais maduros, eu era apenas o bró

nativo das tabas ameríndias.


Fui o angu pesado e constante do escravo

na exaustão do eito.

Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante.

Sou a farinha econômica do proletário.

Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam

a vida em terra estranha.

Alimento de porcos e do triste mu de carga.

O que me planta não levanta comércio, nem avantaja

dinheiro

Sou apenas a fartura generosa e despreocupada dos paióis.

Sou o cocho abastecido donde rumina o gado.


Sou o canto festivo dos galos na gloria do dia que amanhece.

Sou o cacarejo alegre das poedeiras a volta de seus ninhos.

Sou a pobreza vegetal agradecida a Vós. Senhor, Que me

fizestes necessário e humilde.

Sou o milho."

Sobre o poema em forma de oração é possível afirmar que:


A

para evidenciar o gênero textual apresentando, o eu lírico compõe muitas hipérboles as quais enaltecem a qualidade do milho em relação ao trigo.


B

as hipérboles apresentadas constroem a visão do eu lírico quanto ás diferenças de classes sociais, características muito empregada do gênero textual em questão.


C

o eu lírico se apoia nas leituras bíblicas e metáforas para dissertar acerca da importância do milho como lavoura de subsistência utilizando-se de apostos para estruturar o gênero textual em questão.


D

por meio de metáfora o eu lírico reforça a ideia central do texto e utiliza-se de vocativos, construindo marcadamente o gênero textual em questão.