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Texto para os itens de 1 a 20.
1----------Falávamos de sonhos. Primeiro, os mais curiosos.
Os que não têm lógica, nem relação com a realidade. Ah,
isto é que não. Neste ponto, a conversa enviesou pela
4---“interpretose”. No sonho tudo tem a ver com quem sonha.
Aliás, na vida real também. Ou não? Mas a controvérsia
teórica não vem ao caso. Hoje todo mundo sabe o seu lance
7---de psicologia. Freud e Jung dão pé para qualquer palpiteiro.
Pra botar ordem na conversa, cada um na roda
podia contar um sonho, de preferência que tenha tido
10--consequência prática. Uma premonição, por exemplo. Você
sonhar com um número, jogar e ganhar. Sonhar que
recebeu um telefonema assim-assim, que resultou numa
13--viagem maravilhosa. E no dia seguinte vem o telefonema e
a viagem sai. Antecipação, inexplicável sorte, mas que
acontece. Ouvir em sonho um aviso, um conselho, e dar
16--certo. Coisas da parapsicologia.
Sonhos recorrentes, que acompanham a gente a
vida toda. Alguns, obsessivos, estão presos a reminiscências
19--antiquíssimas, que mal se vislumbram na vigília. A memória
afetiva nos arma ciladas, desencava peças de arqueologia,
dá vida ao que está morto. Abre um verdadeiro cemitério.
22--Às vezes, é bom, amável. Outras vezes, é mau, amargo. O
sonho persecutório, por exemplo. Ouvi o enredo de um que
Deus me livre. Verdadeira condenação, coisa do maligno.
25-----------O meu, o desta conversa, posso contar. Foi há anos.
O Rio ainda era a capital. Um amigo me pediu para fazer um
pedido ao presidente da Câmara dos Deputados. Pedido
28--constrangedor, eu dizia que não, que não. Mas o cara
insistia. Me cercava de atenções, me apontava os lugares a
que o presidente iria. Tinha de cor a agenda do homem.
31--Nada de indecoroso, mas por que eu? Não tinha por que
pedir, me meter num negócio que eu desconhecia.
Estou omitindo algumas circunstâncias que
34--impediam que me livrasse do importuno. Uma noite fui
dormir com aquela maçada. E então sonhei. Pesadelo?
Coisa nenhuma. O presidente da Câmara tinha embarcado
37--para a Europa. Ia passar uma longa temporada no exterior.
Compareci ao embarque, conversamos, nos despedimos.
Deu no jornal e eu li. Acordo e me telefona o postulante. O
40--chato! Conto com pormenores a viagem, o embarque.
Enfim, livre. Só depois vim a me dar conta de que tinha sido
um sonho. Mas que alívio!
Otto Lara Resende. Solução onírica. In: Folha de S. Paulo, São Paulo,
1992. Internet: <cronicabrasileira.org.br> (com adaptações).
Em relação aos aspectos gramaticais e aos sentidos do texto apresentado, julgue os itens de 11 a 20.
O vocábulo “que” (linha 30) funciona sintaticamente como complemento direto na oração em que ocorre.
Certo
Errado