

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
AS QUESTÕES DE 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
1.-----------Em tupi, o verbo não indica o tempo, mas há o tempo do substantivo. Quem explica é o linguista
2. Sérgio Freire, em uma postagem curta em seu perfil de Facebook. Segundo ele, os sufixos “rama” (o futuro) e
3. puêra (o passado) são acrescentados aos nomes para indicar o que já foi e o que está por vir. Na Amazônia,
4. uma tribo que usa o idioma pirahã não possui palavras para contar e o próprio conceito de números é
5. inexistente.
6.-----------Talvez pensar em como essas sociedades podem ser funcionais sem alguns dos conceitos que pra
7. gente são tão básicos e fundamentais, como o tempo verbal e os números, pode dar um nó na nossa cabeça.
8. Todo nosso raciocínio e estrutura de pensamento são moldados por nossa língua e fica até difícil imaginar
9. como é possível que seja de outra forma. “É um belo exemplo de como as línguas recortam o mundo de forma
10. diferente: em tupi, o movimento no tempo é o movimento das coisas. Lindo isso, não?”, acrescenta Sérgio
11. Freire em sua postagem.
12.--------- A língua é a expressão da mente. Ela é a base que utilizamos para elaborar nosso pensamento e
13. para nos expressarmos. Se deixamos de olhar para um indivíduo e encaramos um grupo social mais amplo, é
14. fácil observar a relação entre o idioma e a cultura. Durante uma aula do mestrado, o professor de Divulgação
15. Histórica, Arqueológica e Cultural no Jornalismo de Viagens perguntou à turma por que eles acreditavam que
16. os catalães e os bascos, mesmo depois de tanto tempo incorporados à Espanha, ainda possuíam uma identidade
17. tão forte enquanto grupo cultural. “Porque eles ainda carregam a língua”, respondeu. Isso explica, por
18. exemplo, a perseguição que sofreram os dois idiomas durante a ditadura franquista. “Mate uma língua e você
19. mata uma cultura”, afirmou.
20.-------- Em uma palestra do TED, o economista comportamental Keith Chen mostra como as sociedades
21. que falam idiomas que possuem uma forma verbal específica para expressar o futuro possuem uma tendência a
22. poupar menos que as sociedades nas quais o futuro é expresso pela mesma forma verbal que o presente.
23. Segundo ele, ao mudar o verbo, separamos o presente do futuro, ao contrário das outras sociedades nas quais
24. os dois tempos são vistos como parte de um mesmo plano.
25.--------- A língua não apenas influencia nosso comportamento, mas também define as categorias e
26. distinções que são importantes para aquele grupo. Tentar entender um conceito que não está presente no nosso
27. idioma pode ser um verdadeiro exercício mental. Não é a toa que palavras consideradas sem tradução são
28. realmente difíceis de serem explicadas em outras línguas: o máximo ao que podemos chegar são significados
29. parciais. Os significados completos ficam perdidos no ar.
30.--------- A forma como falamos pode até mesmo afetar nossas habilidades cognitivas. Qualquer criança
31. pormpuraaw, uma pequena comunidade aborígene na Austrália, é capaz de apontar o norte sem muitos
32. problemas, ainda que esteja em um ambiente desconhecido. Isso porque, em sua língua, não há palavras para
33. indicar a localização relativa de objetos, como direita e esquerda. Tudo ali é indicado por meio da localização
34. absoluta. A mesa está à leste da cadeira. O copo fica ao norte do prato. Há estudos que mostram ainda que as
35. sociedades em que a língua não faz distinção de gênero ou aquelas em que essa distinção é menos marcante
36. tendem a ser mais igualitárias que as que possuem uma forte distinção, como as línguas latinas.
37.----------Mas, afinal, é a língua que influencia a cultura ou a cultura que influencia a língua? A pergunta
38. parece ser do gênero “o que nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”. Uma se ampara na outra e juntas
39. constroem e alteram a dinâmica social. Seja qual foi a primeira a influenciar a outra, a verdade é que, para
40. aprender um idioma, não basta apenas decorar as regras gramaticais e ter um bom vocabulário. É preciso
41. também aprender a cultura.
Por Natália Becattini – FONTE: https://www.360meridianos.com/2016/07/relacao-entre-lingua-e-cultura.html
Na oração “os dois tempos são vistos” (L.24), se convertida na voz ativa, obtém-se a forma verbal
Vêem.
Veem.
Veem-se
Vêem-se.