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Na oração “os dois tempos são vistos” (L.24), se convertida...

AS QUESTÕES DE 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO


TEXTO


1.-----------Em tupi, o verbo não indica o tempo, mas há o tempo do substantivo. Quem explica é o linguista

2. Sérgio Freire, em uma postagem curta em seu perfil de Facebook. Segundo ele, os sufixos “rama” (o futuro) e

3. puêra (o passado) são acrescentados aos nomes para indicar o que já foi e o que está por vir. Na Amazônia,

4. uma tribo que usa o idioma pirahã não possui palavras para contar e o próprio conceito de números é

5. inexistente.

6.-----------Talvez pensar em como essas sociedades podem ser funcionais sem alguns dos conceitos que pra

7. gente são tão básicos e fundamentais, como o tempo verbal e os números, pode dar um nó na nossa cabeça.

8. Todo nosso raciocínio e estrutura de pensamento são moldados por nossa língua e fica até difícil imaginar

9. como é possível que seja de outra forma. “É um belo exemplo de como as línguas recortam o mundo de forma

10. diferente: em tupi, o movimento no tempo é o movimento das coisas. Lindo isso, não?”, acrescenta Sérgio

11. Freire em sua postagem.

12.--------- A língua é a expressão da mente. Ela é a base que utilizamos para elaborar nosso pensamento e

13. para nos expressarmos. Se deixamos de olhar para um indivíduo e encaramos um grupo social mais amplo, é

14. fácil observar a relação entre o idioma e a cultura. Durante uma aula do mestrado, o professor de Divulgação

15. Histórica, Arqueológica e Cultural no Jornalismo de Viagens perguntou à turma por que eles acreditavam que

16. os catalães e os bascos, mesmo depois de tanto tempo incorporados à Espanha, ainda possuíam uma identidade

17. tão forte enquanto grupo cultural. “Porque eles ainda carregam a língua”, respondeu. Isso explica, por

18. exemplo, a perseguição que sofreram os dois idiomas durante a ditadura franquista. “Mate uma língua e você

19. mata uma cultura”, afirmou.

20.-------- Em uma palestra do TED, o economista comportamental Keith Chen mostra como as sociedades

21. que falam idiomas que possuem uma forma verbal específica para expressar o futuro possuem uma tendência a

22. poupar menos que as sociedades nas quais o futuro é expresso pela mesma forma verbal que o presente.

23. Segundo ele, ao mudar o verbo, separamos o presente do futuro, ao contrário das outras sociedades nas quais

24. os dois tempos são vistos como parte de um mesmo plano.

25.--------- A língua não apenas influencia nosso comportamento, mas também define as categorias e

26. distinções que são importantes para aquele grupo. Tentar entender um conceito que não está presente no nosso

27. idioma pode ser um verdadeiro exercício mental. Não é a toa que palavras consideradas sem tradução são

28. realmente difíceis de serem explicadas em outras línguas: o máximo ao que podemos chegar são significados

29. parciais. Os significados completos ficam perdidos no ar.

30.--------- A forma como falamos pode até mesmo afetar nossas habilidades cognitivas. Qualquer criança

31. pormpuraaw, uma pequena comunidade aborígene na Austrália, é capaz de apontar o norte sem muitos

32. problemas, ainda que esteja em um ambiente desconhecido. Isso porque, em sua língua, não há palavras para

33. indicar a localização relativa de objetos, como direita e esquerda. Tudo ali é indicado por meio da localização

34. absoluta. A mesa está à leste da cadeira. O copo fica ao norte do prato. Há estudos que mostram ainda que as

35. sociedades em que a língua não faz distinção de gênero ou aquelas em que essa distinção é menos marcante

36. tendem a ser mais igualitárias que as que possuem uma forte distinção, como as línguas latinas.

37.----------Mas, afinal, é a língua que influencia a cultura ou a cultura que influencia a língua? A pergunta

38. parece ser do gênero “o que nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”. Uma se ampara na outra e juntas

39. constroem e alteram a dinâmica social. Seja qual foi a primeira a influenciar a outra, a verdade é que, para

40. aprender um idioma, não basta apenas decorar as regras gramaticais e ter um bom vocabulário. É preciso

41. também aprender a cultura.


Por Natália Becattini – FONTE: https://www.360meridianos.com/2016/07/relacao-entre-lingua-e-cultura.html

Na oração “os dois tempos são vistos” (L.24), se convertida na voz ativa, obtém-se a forma verbal


A

Vêem.


B

Veem.


C

Veem-se


D

Vêem-se.