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Sobre os elementos linguísticos usados no texto é correto...

AS QUESTÕES DE 1 A 8 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO


TEXTO


1 ----------------Mães e pais de adolescentes estão aflitos. As saídas noturnas de seus filhos geram, a cada dia que

2 ---passa, a cada jornal que se lê, mais e mais apreensão. O zelo ou a preocupação excessiva são plenamente

3 ---justificáveis. Sabe-se que as grandes cidades vêm batendo recordes de violência e os jovens são suas maiores

4 ---vítimas. Mas são, igualmente, seus maiores algozes. A demora em um sinal ou um esbarrão em uma boate

5 ---cheia podem ser fatais.

6 ---------------Um problema só brasileiro? Não! As democracias europeias, por exemplo, vêm se confrontando com

7 ---o aumento brutal da violência cometida por menores. Lá, a preocupação de erradicar a violência soma-se ao

8 ---esforço de tentar inseri-lo em um tecido social desgastado e atingido pelo risco do desemprego e da

9 ---pauperização.

10 ---------------Na França, verdadeiras batalhas campais entre a polícia e os jovens da periferia parecem demonstrar

11 --que estes, dilapidando ônibus e queimando carros, recusam a ordem estabelecida, querendo afirmar ao mesmo

12 --tempo sua exclusão. No “laboratório social” que continua sendo a Escandinávia, menores transgressores são

13 --gentilmente tratados como “problemas sociais”. Nos Estados Unidos, o problema foi inicialmente resolvido

14 --pelo abandono das zonas em que se concentrava a insegurança — as ” inner citie? — pela população de maior

15 --poder aquisitivo. Na Inglaterra e na Alemanha, assistiu-se a reabertura das instituições para jovens

16 --delinquentes. A preocupação é uma só: evitar a contaminação, criar barreiras contra a incivilidade,

17 --circunscrever o horror. Multiplicam-se, assim, os guetos.

18 ---------------Nos Estados Unidos, a reticência da população branca em conviver com as minorias raciais

19 --confundiu-se com a preocupação em prevenir-se contra a insegurança. No Brasil, copiamos o modelo ao criar

20 --enclaves residenciais altamente protegidos: alarmes, cães de guarda e guaritas armadas tentam confortar o

21 --medo. Mas tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos, o lema é um só: “tolerância zero”! Cada país, do seu

22 --jeito e segundo sua cultura, tenta abordar o problema de maneira a baixar a criminalidade entre os jovens.

23 ---------------A tarefa não é fácil. Nos Estados Unidos, venceu a estrita aplicação da doutrina dita, “da vidraça

24 --quebrada”. A pequena delinquência — quebrar um vidro, por exemplo — é considerada tão grave quanto o

25 --grande crime. Os métodos musculosos do prefeito Rudolph Giuliani transformaram Nova York numa ilha de

26 --relativa paz. Na França, o aumento da criminalidade juvenil, associado ao fracasso de políticas de integração

27 --de imigrantes por meio do serviço social ou de associações como clubes e sindicatos, levou ao aprimoramento

28 --da polícia e à análise da dimensão política do movimento de jovens saídos das imigrações norte-africanas. Na

29 --Inglaterra, os “bobies”, símbolos da repressão civilizada, investiram em tornar-se uma polícia próxima da

30 --comunidade. Na Suécia, o movimento de “Mamães e Papais Urbanos” e associação de adultos patrulha e vigia

31 --as comunidades.

32 ---------------No Brasil, vemos associar-se a pauperização dos moradores de guetos vizinhos aos bairros de classe

33 --média à barbárie dos jovens da mesma classe média, destituídos de mínimos valores de cidadania. Mas como

34 --impor, aqui, a “tolerância zero”? É inegável que o Estado tem de fazer sua parte, reeducando policiais,

35 --aparelhando delegacias, pagando salários adequados a quem, teoricamente, expõe sua vida para salvar vidas.

36 --Mas está provado que deve haver uma adesão da sociedade a tais mudanças. A começar pela “tolerância zero”

37 --dentro de casa.

38 ---------------É fundamental que, como cidadãos, os pais se conscientizem de que devem implicar-se na luta contra

39 --a delinquência juvenil. É preciso dizer não: não incentivar a violência, não incentivar a velocidade, não

40 --incentivar apenas os valores materiais. É preciso também valorizar o papel da comunidade, do bairro, do clube.

41 --É sabido que em espaços onde os valores comunitários são mais fortes, a violência é mais fraca. Basta, enfim,

42 --de encarar a violência como algo banal e endêmico, fruto da sociedade moderna! É preciso que cada um de

43 --nós faça algo, se não por si próprio, por seus filhos.


MARY DEL PRIORE. FONTE: https://historiahoje.com/educacao-e-violencia-urbana-uma-reflexao/

Sobre os elementos linguísticos usados no texto é correto afirmar


A

“ou” (L.2) expressa sentido de exclusão.


B

“segundo” (L.22) estabelece ordem sequencial.


C

Em “jovens” (L.22), não há ditongo na constituição do vocábulo.


D

“quanto” (L.24) introduz uma oração comparativa com verbo elíptico.


E

“próprio” (L.43), se retirado da frase, tem implicação de ordem sintática.