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A dor de nunca saber o bastante
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Como toda ansiedade, a angústia típica de nosso tempo machuca. Seu componente de irracionalidade é irrelevante para quem se sente mal. O escritório de estatísticas da Inglaterra divulgou uma pesquisa que é ao mesmo tempo um diagnóstico. Cerca de um sexto dos ingleses entre 16 e 74 anos se sente incapaz de absorver todo o conhecimento com que esbarra no cotidiano. Isso provoca tal desconforto que muitos apresentam desordens neuróticas.
O problema é mais sério entre os jovens e as mulheres. Quem foi diagnosticado com a síndrome do excesso de informação tem dificuldade até para adormecer. O sono não vem, espantado por uma atitude de alerta anormal da pessoa que sofre. Ela simplesmente não quer dormir para não perder tempo e continuar consumindo informações. Os médicos ingleses descobriram que as pessoas com quadro agudo dessa síndrome são assoladas por um sentimento constante de obsolescência, a sensação de que estão se tornando inúteis, imprestáveis, ultrapassadas. A maioria não expressa sintomas tão sérios. O que as persegue é uma sensação de desconforto – o que já é bastante ruim.
O excesso de informação não escolhe idade nem sexo.
A paulista Renata Gukovas, de 13 anos, sabe exatamente o que é isso. Ela vai à escola, estuda japonês e inglês, joga basquete e handebol e participa de competições de matemática. “O que me falta na vida? Tempo. Queria que o dia tivesse trinta horas.”
O americano Richard Saul Wurman, autor dos livros “Ansiedade de Informação” e “Ansiedade de Informação 2”, neste último, sugere que as pessoas encarem o mundo como um grande depósito de material de construção. E o que fazer com a matéria-prima? Ora, diz ele, seja um arquiteto de sua própria catedral de conhecimento. A arma para isso é a “ignorância programada”, ou seja, a escolha criteriosa do que se quer absorver.
O resto deve ser deixado de lado, como o compositor que intercala pausas de silêncio entre as notas para que a música faça sentido aos ouvidos. “A ansiedade de informação é o buraco negro que existe entre os dados disponíveis e o conhecimento. É preciso escapar dela”, observa Wurman. Ou, ao menos, não deixar que ela assuma proporções dolorosas para quem precisa ultrapassá-la no dia a dia.
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(Cristiana Baptista. A dor de nunca saber o bastante. Veja: Comportamento. Em: 05/09/2001. Adaptado.)
Considerando que o adjetivo é uma classe de palavras que atribui características aos substantivos, ou seja, ele indica suas qualidades e estados, assinale a expressão destacada que NÃO se refere a tal classe gramatical.
“O problema é mais sério entre os jovens e as mulheres.” (2º§)
“Como toda ansiedade, a angústia típica de nosso tempo machuca.” (1º§)
“O sono não vem, espantado por uma atitude de alerta anormal da pessoa que sofre.” (2º§)
“Ou, ao menos, não deixar que ela assuma proporções dolorosas para quem precisa ultrapassá-la no dia a dia.” (6º§)