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Comparando os advérbios usados por Clarice, percebe-se como...

Texto para responder às questões de 53 a 60.


Escrever


Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.

Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.

Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.

Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a “coisa” vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro escrever e outro, podem-se passar anos.

Me lembro agora com saudade da dor de escrever livros.


Clarice Lispector. A descoberta do mundo, 1999. (Adaptado)

Comparando os advérbios usados por Clarice, percebe-se como ela opõe o impulso que surge de livre vontade àquilo que pode ser casualmente aproveitado. Esses advérbios estão, correta e respectivamente, apontados em:


A

exatamente, hoje.


B

muito, exatamente.


C

espontaneamente, eventualmente.


D

espontaneamente, exatamente.


E

apenas, eventualmente.