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Depreende-se do trecho “as já desgastadas” (linha 48) que...

Texto para os itens de 9 a 20.


1 ____ Para o poeta Robert Frost, a vida era um caminho

_ que passa por encruzilhadas inevitáveis; para Fernando

_ Pessoa, uma sombra que passa sobre um rio. Shakespeare

4 _ via o mundo como um palco e Scott Fitzgerald percebia os

_ seres humanos como barcos contra a corrente. As

_ metáforas nos rodeiam, mas não só quando seguramos um

7 _ livro nas mãos. Em nosso uso cotidiano da língua, elas são

_ tão presentes que nem percebemos. “Teto de vidro impede

_ a carreira das mulheres”, “bolha do aluguel”, “cortar o mal

10_ pela raiz”… Considerada a forma por antonomásia da

_ linguagem figurada, a metáfora, às vezes, é tida como um

_ mero embelezamento do discurso, um alarde intelectual ou

13_ um desvio lúdico do conhecimento lógico.

____ Desde 1980, com a publicação do livro Metáforas

_ da Vida Cotidiana, essa figura retórica recuperou seu

16 _ protagonismo. Seus autores, George Lakoff e Mark Johnson,

_ mostraram que as alegorias desenham o mapa conceitual a

_ partir do qual observamos, pensamos e agimos. Com

19 _ frequência, são nossa bússola invisível, que orienta tanto os

_ gestos instintivos que fazemos como as decisões mais

_ importantes que tomamos. É muito provável que aqueles

22_ que concebem a vida como uma cruz e os que a entendem

_ como uma viagem não reajam da mesma forma ante um

_ mesmo dilema. As metáforas são ferramentas eficazes e de

25 _ múltiplas utilidades. Ao partir de elementos já conhecidos,

_ elas nos ajudam a examinar realidades, conceitos e teorias

_ novas de uma maneira prática. Também servem para

28 _ abordar experiências traumáticas nas quais a linguagem

_ literal se revela impotente. São vigorosos atalhos que a

_ mente usa para assimilar situações complexas em que a

31 _ literalidade acaba sendo limitada e confusa. É mais fácil,

_ para nós, entender que a depressão é um buraco negro e

_ que o DNA é o manual de instruções de cada ser vivo.

34 ____ No campo da medicina, tem havido mudanças de

_ paradigma com respeito ao impacto emocional das

_ metáforas. Em um seminário organizado pela Universidade

37 _ de Navarra, na Espanha, a linguista Elena Semino dissertou

_ sobre os efeitos nocivos de abordar o câncer como se fosse

_ uma guerra, e as sensações negativas que o paciente

40 _ experimenta quando acredita estar “perdendo a batalha”.

_ Mesmo que isso possa ser estimulante para outros. O erro,

_ segundo a especialista, é generalizar certos campos

43 _ semânticos, como o militar. Para corrigir essa questão, seu

_ grupo de pesquisa elabora o que chama de cardápio de

_ metáforas, para que médicos e pacientes enfrentem a

46 _ doença de uma forma mais construtiva. As boas metáforas

_ nos trazem outras perspectivas, fronteiras menos rígidas e

_ novas categorizações que substituem as já desgastadas.



Marta Rebón. O que nossas metáforas dizem de nós. In: El País, 2018. Internet: <https://brasil.elpais.com/> (com adaptações).


Quanto aos aspectos gramaticais e aos sentidos do texto apresentado, julgue os itens de 9 a 20.

Depreende-se do trecho “as já desgastadas” (linha 48) que está elíptica a expressão boas metáforas logo após o vocábulo “as”.


C

Certo


E

Errado