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NÃO se verifica marca da primeira pessoa do plural no...

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 5, considere o poema abaixo do escritor mato-grossense Manoel de Barros.


[1]------Nosso conhecimento não era de estudar em livros.

--------Era de pegar de apalpar de ouvir e de outros sentidos.

--------Seria um saber primordial?

--------Nossas palavras se ajuntavam uma na outra por amor

[5]-----e não por sintaxe.

--------A gente queria o arpejo. O canto. O gorjeio das palavras.

--------Um dia tentamos até de fazer um cruzamento de árvores

--------com passarinhos

--------para obter gorjeios em nossas palavras.

[10]-----Não obtivemos.

--------Estamos esperando até hoje.

--------Mas bem ficamos sabendo que é também das percepções

--------primárias que nascem arpejos e canções e gorjeios.

--------Porém naquela altura a gente gostava mais das palavras

[15]-----desbocadas.

--------Tipo assim: Eu queria pegar na bunda do vento.

--------O pai disse que vento não tem bunda.

--------Pelo que ficamos frustrados.

--------Mas o pai apoiava a nossa maneira de desver o mundo

[20]----que era a nossa maneira de sair do enfado.

--------A gente não gostava de explicar as imagens porque

--------explicar afasta as falas da imaginação.

--------A gente gostava dos sentidos desarticulados como a

--------conversa dos passarinhos no chão a comer pedaços de

[25]----mosca.

--------Certas visões não significavam nada mas eram passeios

--------verbais.

--------A gente sempre queria dar brasão às borboletas.

--------A gente gostava bem das vadiações com as palavras do

[30]----que das prisões gramaticais.

--------Quando o menino disse que queria passar para as

--------palavras suas peraltagens até os caracóis apoiaram.

--------A gente se encostava na tarde como se a tarde fosse

--------um poste.

[35]----A gente gostava das palavras quando elas perturbavam

--------os sentidos normais da fala.

--------Esses meninos faziam parte do arrebol como

--------os passarinhos.


(BARROS, Manoel de. Menino do mato. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015)

NÃO se verifica marca da primeira pessoa do plural no seguinte verso:


A

“Mas o pai apoiava a nossa maneira de desver o mundo” (verso 19).


B

“Um dia tentamos até de fazer um cruzamento de árvores” (verso 7).


C

“Nossas palavras se ajuntavam uma na outra por amor” (verso 4).


D

“Certas visões não significavam nada mas eram passeios” (verso 26).


E

“Mas bem ficamos sabendo que é também das percepções” (verso 12).