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Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 8.
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O conceito de violência: problemas semânticos
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1---------Uma das maiores dificuldades no tratamento da violência, mais precisamente das ações ditas
2--violentas, é a imprecisão dos seus contornos semânticos. Várias são as razões disso. Uma, de caráter mais
3--psicológico, é que elas são assim denominadas, com frequência, muito mais pelo impacto emocional que
4--produzem no imaginário das pessoas do que por razões objetivas consistentes. Outra razão, de caráter
5--mais filosófico, é a dificuldade de encontrar um princípio racional que explique essas ações, particularmente
6--sob o impacto emocional dos seus efeitos. Outra, de caráter mais antropológico, é que a qualificação das
7--ações como violentas permite desqualificar seus autores, tornando-os a expressão máxima da
8--desumanidade, rebaixando-os, equivocadamente, ao nível da animalidade, mundo onde não há lugar para a
9--violência por não existir nele liberdade, intencionalidade, nem consciência, todas elas características da
10--condição humana dos homens.
11----------Se toda palavra é por natureza polissêmica, suscetível de múltiplos sentidos, há algumas em
12--particular que adquirem um sentido tal que lhes confere um potencial evocativo capaz de provocar intensas
13--reações racionais ou emocionais nas pessoas. Este parece ser o caso da palavra “violência” e dos adjetivos
14--correspondentes, cujo poder evocativo faz com que a força do seu sentido seja maior que a do seu
15--significado. O sentido se alimenta da experiência coletiva da humanidade, extremamente rica em fatos
16--violentos, em que o imaginário de certos indivíduos encontra farto material para alimentar seus devaneios
17--destrutivos. Já o significado está delimitado pela própria história da língua registrada, em parte, nos
18--dicionários.
19-----------Os significados que o Dicionário da Língua Portuguesa (BUARQUE DE HOLANDA, 1975) atribui à
20--palavra "violência" não traduzem a densidade semântica que ela adquire no imaginário coletivo. O primeiro
21--deles define a violência como a qualidade de violento, formulação tautológica que confere ao termo
22--"violento" um estatuto ontológico indefinido, espécie de entidade mitológica que ajuda a alimentar o
23--imaginário coletivo e individual. Outros significados que explicitam essa qualidade são ímpeto, exercício da
24--força bruta, tumulto, irascibilidade e intensidade.
25-----------O sentido que perpassa todos esses significados, na sua heterogeneidade, é o de excesso, aspecto
26--quantitativo que tanto pode traduzir a representação de um certo grau de intensidade desnecessária da
27--ação ou dos meios utilizados para realizá-la – a dificuldade é a imprecisão e o caráter relativo do termo
28--"desnecessária" – quanto pode traduzir a violação dos limites estabelecidos pelas leis, os valores ou as
29--tradições sociais. O sentido de excesso tanto é atribuído a certos eventos naturais (cataclismos, tornados,
30--tempestades, terremotos, etc.), quanto a certas ações humanas (massacres, genocídios, uso de armas de
31--destruição em massa, devastação das florestas, etc.).
32-----------Tratando-se de fenômenos naturais, falar de excesso só pode ser em sentido metafórico, como
33--projeção do impacto que eles podem produzir em nós. Tratando-se das ações humanas, onde esse sentido
34--de excesso se aplica, mais do que significar intensidade física, até certo ponto irrelevante do ponto de vista
35--conceitual, ele significa violação dos limites estabelecidos pela sociedade, revelando no seu autor uma
36--espécie de "vontade de poder" irrefreável, que o coloca acima de qualquer limite ou lei.
37-----------Há filósofos e antropólogos que veem a violência como uma característica própria do mundo sagrado
38--no qual, em contraposição ao mundo profano, onde reina a ordem e a lei, não existe, por definição, nem lei
39--nem ordem. Ao fazer da própria "vontade de poder" o limite da violência, o homem coloca-se fora da lei e da
40--ordem, num lugar que não é seu e com um poder sagrado que ele não pode ter. Infelizmente, não se trata
41--de um mero "delírio da mente", mas de fatos com consequências sociais reais!
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PINO, Angel. Violência, educação e sociedade: um olhar sobre o Brasil contemporâneo. Educação e Sociedade, Campinas, v. 28, n. 100, p. 765-766,
out. 2007.
Na frase “Há filósofos e antropólogos que veem a violência como uma característica própria do mundo sagrado” (linha 37), o trecho sublinhado poderia, de acordo com a norma culta da língua, ser substituído por
que a veem
que lhe veem
que veem-lha
que veem-lhe