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Texto para as questões de 1 a 8.
1 ___ Uma das situações mais desafiadoras na carreira de
um cientista é tentar explicar o sistema de publicação
científica para as pessoas em geral. Como justificar que
4 _ pesquisadores entreguem seu trabalho de graça a editoras
estrangeiras, que lucram cobrando pelo acesso a ele? Ou
que, além de não cobrarem, eles às vezes paguem por isso?
7 ___ Antes da Internet, editoras comerciais eram
necessárias para divulgar trabalhos científicos: financiados
por universidades ou governos, cientistas faziam pesquisa e
10 atuavam como revisores de seus pares, delegando a tarefa
de imprimir e distribuir artigos em papel a uma empresa que
cobrava pelo produto para manter o negócio viável.
13 ___ A rápida migração on-line das revistas científicas na
virada do século parecia anunciar mudanças: em 1995, a
Forbes previu que a Elsevier, maior editora científica do
16 _ mundo, seria a primeira vítima da Internet. Passados 25
anos, o braço técnico-científico do grupo RELX,
conglomerado multinacional no qual a editora se
19 _ transformou, registra um faturamento anual de mais de 2,6
bilhões de libras, com margens de lucro entre 30% e 40%.
Tais custos são mantidos por bibliotecas universitárias e
22 _ agências públicas ao redor do mundo, que pagam somas
cada vez mais vultosas por artigos que suas próprias
instituições produzem.
25 ___ O absurdo de um sistema que bloqueia o acesso a
pesquisa feita com dinheiro público tem gerado apoio
crescente ao modelo de acesso aberto, em que cientistas
28 _ pagam uma taxa única para cobrir os custos de publicação
do artigo e mantê-lo disponível. Recentemente, a União
Europeia anunciou o Plan S, que determina que toda
31 _ pesquisa financiada pelo bloco deve ser publicada nesse
formato.
___ O resultado? Há alguns meses, a Nature, talvez a
34 _ revista científica de maior prestígio no mundo, anunciou
que seu preço para publicar um artigo em acesso aberto
seria de 11.390 dólares. O valor equivale no Brasil a cerca
37 _ de dois anos e meio de uma bolsa de doutorado. Quem em
sã consciência gastaria dezenas de vezes mais para ter seu
artigo na Nature?
40 ___ A resposta? Quase todo mundo. Não porque
cientistas sejam pouco zelosos com seus orçamentos, mas
precisamente pelo contrário: artigos em revistas de
43 _ prestígio são o motor que garante reputação, empregos e
recursos de pesquisa no mundo acadêmico.
___ A consequência é uma economia de prestígio que
46 _ permite às grandes revistas cobrarem o que bem entendem,
além de obterem mão de obra gratuita de cientistas
ansiosos por se associarem às suas marcas como revisores
49 _ ou editores. Nesse mercado, não há espaço para renovação:
mesmo concorrentes que ofereçam serviços melhores a um
custo mais baixo levariam décadas para obterem a
52 _ reputação de uma Nature ou uma Science.
Olavo Amaral. Publicação científica: um mercado de luxo? In: Folha de S. Paulo, 2021 (com adaptações).
É empregada uma metáfora no trecho
“artigos em revistas de prestígio são o motor” (linhas 42 e 43).
“Tais custos são mantidos por bibliotecas universitárias e agências públicas” (linhas 21 e 22).
“maior editora científica do mundo” (linhas 15 e 16).
“somas cada vez mais vultosas” (linhas 22 e 23).
“O absurdo de um sistema que bloqueia o acesso” (linha 25).