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Leia o texto para responder às questões de números 01 a 06.
Padeiros, manobristas, pedestres e um catador de papel olhavam para os noivos, agora marido e mulher, trajados a rigor, mas um rigor excessivo, para mim, até pomposo. O casal tinha saído de uma igreja do bairro e se deixava fotografar na calçada de um restaurante.
Ele parecia um adolescente em fase de crescimento. E ela, miúda e serelepe, parecia uma criança que se recusava a crescer. Os dois, abraçados, formavam um par gracioso e insólito, que posava às gargalhadas para dezenas de celulares.
Testemunhava essa felicidade nada clandestina, banhada por um chuvisco de pétalas no fim da tarde de um sábado paulistano. Aos poucos, a plateia plebeia se dispersou: os padeiros voltaram à labuta no balcão e na chapa de aço; os manobristas, aos carros enfileirados no meio da rua; o catador de papel, à carroça troncha; e os transeuntes, à noite que os esperava.
Mas nem todos os sábados são festejados com pétalas celestiais, beijos e celulares. Há duas semanas, atraído por uma gravação famosa do Réquiem de Mozart, entrei em outra igreja do meu bairro e me emocionei. Nesse crepúsculo fúnebre, não apareceram padeiros, carroceiros nem manobristas, e os transeuntes não pararam para observar beijos discretos e compassivos num rosto masculino, devastado pelo pesar.
Enquanto ouvia a composição milagrosa de Mozart, observava o rosto abatido do jovem viúvo diante de uma fotografia da finada. Isso me fez pensar na permanência, e não no fracasso do amor.
Eu era apenas um intruso curioso para os que ali estavam nessa missa fúnebre. O intruso saiu da igreja e parou para ouvir a parte final do Réquiem; depois andou a esmo, com o estado de espírito tão diferente do passeante que se distraíra com pétalas e gargalhadas de um outro sábado.
(Milton Hatoum. Um casamento e a missa. https://cultura.estadao.com.br, 24.04.2015. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a inclusão da vírgula não prejudica o sentido e a correção gramatical da frase.
Padeiros, manobristas, pedestres e um catador de papel, olhavam para os noivos, agora marido e mulher, trajados a rigor…
Ele, parecia um adolescente em fase de crescimento. E ela, miúda e serelepe, parecia uma criança que se recusava a crescer.
Testemunhava essa felicidade nada clandestina, banhada por um chuvisco de pétalas, no fim da tarde de um sábado paulistano.
Há duas semanas, atraído por uma gravação famosa do Réquiem de Mozart, entrei, em outra igreja do meu bairro e me emocionei.
Isso me fez pensar, na permanência, e não no fracasso do amor.