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Texto II

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Um apólogo

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Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?

— Deixe-me, senhora.

— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

— Mas você é orgulhosa.

— Decerto que sou.

— Mas por quê?

— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

[…]

— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

[…]

MACHADO DE ASSIS, J.M. Um Apólogo. In: Contos Consagrados de

Machado de Assis. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, [s.d.]. p. 198.

Assinale ( C ) para as afirmativas corretas e ( I ) para as afirmativas incorretas.

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( ) O vocábulo “que”, sublinhado no texto, é um pronome relativo.

( ) Os vocábulos “senhora” e “tola”, sublinhados no texto, são vocativos.

( ) O verbo “coser”, sublinhado no texto, conjugado na 1a pessoa do singular do modo indicativo, significa “costurar”; já o verbo “cozer” significa “cozinhar”. “Coser” e “cozer” são, portanto, palavras homófonas heterográficas.

( ) “Onde me espetam”, sublinhada no texto, é uma oração subordinada adverbial de lugar (locativa).

( ) Em “por quê”, sublinhado no texto, o “que” recebe acento tônico por ser uma conjunção explicativa ou causal.

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Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.


A

I – I – I – I – C


B

I – C – I – C – I


C

C – I – C – I – C


D

C – C – C – C – I


E

C – C – I – I – C