O leitor-ouvinte, em sua ação receptivo-interpretativa, aciona estratégias cognitivas para compensar prováveis lacunas de superfície do texto. São cálculos mentais, responsáveis pela formulação de inferências e/ou pressuposições que esclarecem aquilo que, na materialidade do enunciado, se encontra implícito. Considerada essa perspectiva teórica, assinale a alternativa correta acerca de Mentiras.
O fato de o leitor inferir que Lili é uma criança decorre de uma dedução lógica: "Somente as crianças vivem no mundo da fantasia. Lili vive no mundo da fantasia. Portanto, Lili é uma criança".
A idéia implícita de que Lili é uma criança decorre, especialmente, dos seguintes índices textuais: a referência a Mentiras, o próprio apelido da personagem e as expressões onomatopéicas.
A oração Mas debaixo da mesa havia bandidos (linha 2) é um índice textual, necessário e suficiente, para o leitor pressupor que Lili estava brincando sobre a mesa da sala.
A expressão No auge da confusão (linha 3) tem seu sentido restrito ao fato, implícito, de Lili ter manifestado insistentemente a seus pais o desejo de continuar brincando.
O pronome demonstrativo isto (linha 1), no contexto, pode também ser considerado elemento catafórico de (re)ativação de referente, na medida em que sugere ao leitor que Lili brincava com uma lata de sardinha.