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Considere as seguintes afirmações sobre a pontuação dos...

Atenção: Leia o texto abaixo para responder às questões de números 44 a 47.

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Brasil inventou a fuzarca e precisa exportar a tecnologia do furdunço

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País da algazarra, alvoroço, arruaça, baderna, bagunça e bafafá tem uma desordem que há de nos levar ao progresso

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1. ---Duvido que tenha alguma língua no mundo com tanta palavra pra bagunça quanto a nossa. E o léxico não vem do grego ou do

latim: nossos termos pra desordem nasceram por aqui, às vezes sem pai nem mãe.

2. ---Bagunça, por exemplo: tem pais desconhecidos, assim como furdunço e fuzuê. O Brasil inventou a fuzarca − ou talvez o contrário.

3. ---Auê, fuzuê, frege, bafafá, rebuliço. Qualquer falante do português saberá do que trata essas palavras, mesmo que nunca as

tenha ouvido. Escarcéu e banzeiro vieram do mar. O primeiro é a onda gigante, o segundo é o mar agitado, e ambos passaram a

designar agitação de gente que se comporta como o mar.

4. ---Minha vó chamava de murundum um baú cheio de cartas e fotos − corruptela de murundu, sinônimo de barafunda, aquele

amontoado de qualquer coisa. Tenho pena das bagunças obsoletas, que morreram com o tempo. Ninguém nunca me chamou pra

uma patuscada, um salsifré, um bailarico. Gandaia ainda se usa, mas só pra cair nela. Já ninguém se levanta pra uma gandaia.

5. ---Baderna veio da Marietta − a bailarina italiana que fez um sucesso estrondoso no Rio ao misturar danças africanas e balé

clássico − isso em 1850. Proibida de dançar lundu nos palcos, passou a dançar ao ar livre, no largo da Carioca, junto com africanos

escravizados.

6. ---Baderna virou, primeiro, sinônimo de beleza, depois de tumulto: seus fãs, os badernistas, protestaram contra a proibição

fazendo o que melhor sabiam fazer: fuzuê. (Chamei minha filha de Marieta por causa dela, e os nomes têm força: quando não está no

balé, está na bagunça − geralmente nos dois.)

7. ---Arruaça quem faz são os outros − e geralmente quem acusa é a imprensa. Quando a polícia chega, o que podia ser um tumulto

vira quebra-pau. Perceba que, quando a confusão vira porradaria, ela ganha um hífen: se transforma num quebra-quebra, um pega-pra-capar, um deus-nos-acuda, um salve-se-quem-puder, uma casa-da-mãe-joana, vulgo casa-da-sogra (pobre da sogra chamada

Joana).

8. ---Alvoroço vem do árabe, onde servia pra designar um tipo muito específico de confusão: os gritos de alegria que a gente dá ao

receber alguém querido. Algazarra também vem dos mouros, mas designa um tipo de tumulto mais específico: o banzeiro que o

Exército mouro promovia antes de atacar, pra assustar o inimigo. Os árabes, assim como nós, tinham pós-graduação em gritaria.

9. ---Gosto das palavras que servem pra designar ao mesmo tempo uma forma de confusão e uma forma de comida − sururu,

sarapatel, angu de caroço. Grande parte da nossa culinária tem origem na bagunça. Não é só o prato que parece um murundum, mas

também a ocasião em que se come: não se degusta um sururu sem promover um sarapatel, e vice-versa. Galhofa já significou

banquete, até virar sinônimo de bagunça, e hoje virou humor fácil − no teatro, quando o comediante perde a mão, alerta-se, na coxia:

“Cuidado com a galhofa”.

10. ---Tem ritmo que leva a confusão no nome: pagode, forró e frevo já significaram balbúrdia, antes de ela se organizar em notas

musicais. Até hoje carregam a confusão em que nasceram, e, assim que as notas soam, logo se promove um furdunço. Um pagode,

quando tocado sozinho, não é um pagode, mas outra coisa. Pra virar pagode precisa de alguém atrapalhando quem toca. Forró

precisa de pelo menos três pessoas, uma tocando e duas dançando. Frevo precisa de uma cidade inteira.

11. ---Dominamos, como ninguém, a tecnologia do furdunço. Tudo o que funciona, no Brasil, do forró ao sarapatel, conseguimos

através de algazarra. Toda tentativa de moralizar o galinheiro saiu pela culatra: a ordem só levou ao regresso. O progresso só

alcançamos na fuzarca − sem cair na galhofa jamais. Não existe contradição entre o balé e a bagunça.

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(DUVIVIER, Gregório. “Brasil inventou a fuzarca e precisa exportar a tecnologia do furdunço”. Folha de São Paulo [online], São Paulo, 15 fev. 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br. Acessado em: 15 set. 2022)

Considere as seguintes afirmações sobre a pontuação dos trechos abaixo.

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I. Em “Tenho pena das bagunças obsoletas, que morreram com o tempo.”, a vírgula separa oração subordinada explicativa.

II. Em “Algazarra também vem dos mouros, mas designa um tipo de tumulto mais específico [...].”, a vírgula é usada para separar oração coordenada adversativa.

III. Em “Os árabes, assim como nós, tinham pós-graduação em gritaria.”, as vírgulas isolam um aposto.

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Está correto o que se afirma em


A

III, apenas.


B

II e III, apenas.


C

II, apenas.


D

I e II, apenas.


E

I, II e III.