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Texto 1PrisãoMichel FoucaultA prisão é menos recente do que...

Texto 1


Prisão


Michel Foucault


A prisão é menos recente do que se diz

quando se faz datar seu nascimento dos novos

códigos. A forma-prisão preexiste à sua utilização

sistemática nas leis penais. Ela se constituiu fora

5 do aparelho judiciário, quando se elaboraram, por

todo o corpo social, os processos para repartir os

indivíduos, fixá-los e distribuí-los espacialmente,

classificá-los, tirar deles o máximo de tempo, e o

máximo de forças, treinar seus corpos, codificar

10 seu comportamento contínuo, mantê-los numa

visibilidade sem lacuna, formar em torno deles um

aparelho completo de observação, registro e

notações, constituir sobre eles um saber que se

acumula e se centraliza. A forma geral de uma

15 aparelhagem para tornar os indivíduos dóceis e

úteis, através de um trabalho preciso sobre seu

corpo, criou a instituição-prisão, antes que a lei a

definisse como a pena por excelência. No fim do

século XVIII e princípio do século XIX se dá a

20 passagem a uma penalidade de detenção, é

verdade; e era coisa nova. Mas era na verdade

abertura da penalidade a mecanismos de coerção

já elaborados em outros lugares. Os “modelos” da

detenção penal — Gand, Gloucester, Walnut

25 Street — marcam os primeiros pontos visíveis

dessa transição, mais que inovações ou pontos de

partida. A prisão, peça essencial no conjunto das

punições, marca certamente um momento

importante na história da justiça penal: seu acesso

30 à “humanidade”.


FOUCAULT. Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Trad.

Raquel Ramalhete. 27a. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1987. p.

260.

O acento grave no “a” em “seu acesso à humanidade” (linhas 29-30) se justifica por:


A

iniciar um complemento nominal.


B

diferenciar a ortografia do determinante.


C

assinalar a concordância nominal.


D

introduzir um objeto indireto.


E

marcar um monossílabo tônico.