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Na linha 22, o termo “Que” classifica-se como um pronome...

Texto para os itens de 1 a 20.

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1-------Inevitavelmente eu me lembro daquela frase

horrorosa, não sei de que autor, sobre pessoas que se

reuniam na noite de 31 de dezembro “para providenciar a

4-passagem do ano”.

------- Para muitos de nós, os inquietos, os desorganizados,

a festa de fim de ano acaba sendo isso: mais uma providência

7--a tomar. Outro problema. E ao lado dessa vaga alegria, dessa

escassa boa vontade de Natal, há um outro sentimento mais

frequente que nos assalta diante das vitrinas enfeitadas: a

10--aflição de Natal. Recebo alguns cartões, raríssimos presentes,

e me quedo perplexo. As árvores artificiais, as estrelas

artificiais, todo esse mau gosto colorido das vitrinas, que a

13--princípio é alegre, acaba sendo aflitivo: o Comércio faz uma

estranha ofensiva contra o Consumidor, que recua, hesita,

avança, foge, preso às peias de um orçamento medíocre.

16--------“Comprem, comprem”! A Publicidade faz sua grande

farra de fim de ano, e nós é que devemos pagá-la. Uma garrafa

de bebida deixa de ser uma garrafa de bebida, é um mimo

19--envolvido em cores álacres, cercado de frases festivas e

exclamações: assim todas as coisas perdem seu ar honesto e

vulgar, afetam uma gratuita alegria e convencional boa

22--vontade. E a burguesia faz surrealismo sem o saber. Que existe

de mais tocante e louco do que receber votos de feliz Natal e

grandioso Ano Bom não de uma pessoa, mas de uma firma

25--comercial, um banco, um ser jurídico? Não é o homem da

empresa que nos saúda alegremente, de cristão para cristão: é

a própria sociedade anônima que se faz afetuosa, que exprime

28--os bons sentimentos que empolgam seu espírito de estatuto

ou sua alma de balancete.

Sei que o remédio é sentar diante de uma folha de

31--papel e fazer uma lista de amizades com endereços para

mandar cartões; e, quando possível, mimos. Mas para isso é

preciso ser inconsciente ou ter essa estranha coragem de fazer

34--um balancete sentimental, admitir ou demitir pessoas de nossa

lista, pesar a lembrança das criaturas humanas dentro de nosso

peito, misturar saudade com consideração, conveniência,

37--consideração, gratidão por algum serviço ou fineza, com amor

ou simpatia gratuitos. É uma tarefa que sempre parecerá dura

a qualquer pessoa sensível e ao mesmo tempo odiosa e

40--melancólica. Há os esquecimentos, as omissões...

E na rua as lojas oferecem brilhantes aparelhos

elétricos, livros, discos, cestas abundantes de comeres e

43--beberes, facilidades de pagamento, falsos abonos, com

imensos papais-noéis de sorriso comercial — toda uma

alucinada orgia mercantil — em nome do menino Jesus,

46--menino tão pobrezinho que se tivesse nascido num morro do

Rio estaria talvez internado, se tivesse sorte para arranjar uma

vaga naquele hospital que a prefeitura tem para crianças

49--doentes e miseráveis — Hospital Jesus...

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Rubem Braga. O menino. In: Correio da Manhã, dez. 1952.

Internet: <cronicabrasileira.org.br> (com adaptações).

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Considerando os aspectos linguísticos do texto, julgue os itens de 8 a 20.

Na linha 22, o termo “Que” classifica-se como um pronome relativo.


C

Certo


E

Errado