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Considere o período abaixo, retirado do texto, e analise as...

Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.

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O mito do inglês como língua internacional ou franca


01----------No curso da história, é possível observar que as línguas ____ sido usadas como armas políticas

02---de dominação ou de insubordinação. A própria noção de língua está muito atrelada às ideias de

03---identidade e unidade nacionais, e os idiomas ____ funcionado como mecanismos ideológicos de

04---construção e manutenção de práticas sociais e discursivas (Makoni & Pennycook, 2007; Schmitz,

05---2012). Atualmente, os papéis sociais da língua inglesa (LI) no contexto da sociedade globalizada

06---____ sido amplamente discutidos. Acreditamos que é impossível separar o inglês dos fenômenos

07---de colonização e dominação (tanto material – territorial e econômica – quanto cultural e

08---ideológica) empreendidos pela Inglaterra e pelos Estados Unidos (EUA) e, da mesma forma,

09---defendemos que o ensino-aprendizagem deste idioma deve pautar-se por reflexões e discussões

10---de ordem crítica.

11----------Acentuadamente a partir das últimas décadas do século XX, a língua inglesa tem assumido

12---status de língua internacional, global ou franca, como propõem Crystal (2003, 2009), Figueredo

13---(2007), Jenkins (2007, 2012), Mckay (2002), Murray (2012), Schmitz (2012) e diversos outros

14---estudiosos. Segundo Figueredo (2007, p. 28-29), para que uma língua seja considerada

15---internacional ou global, “o importante não é possuir o maior número de falantes nativos, mas,

16---sim, estar presente em vários países e assumir um lugar de destaque em suas relações sociais,

17---culturais, educacionais, políticas e diplomáticas”. Isso pode ocorrer quando tal língua é

18---estabelecida como idioma oficial do país ou quando é a principal língua estrangeira (LE) ensinada

19---nas escolas. Por ser considerada global, a LI é tida por muitos como língua franca, por mediar as

20---relações internacionais e mesmo nacionais em contextos de multilinguismo. Por língua franca,

21---entende-se “uma língua auxiliar utilizada para comunicação entre diferentes grupos, em que cada

22---um tem um determinado sistema linguístico” (Figueredo 2007, p. 31), que pode ser uma língua

23---internacional ou não.

24----------Todavia, entender a LI como língua internacional, global ou franca traz implicações ideológicas

25---sérias, pois isso constrói, expressa e ratifica uma noção de neutralidade e naturalidade, como se

26---a língua existisse por si só, independentemente de seus falantes e de toda sua historicidade, ou

27---como se fosse, “uma língua emergente que existe por direito próprio” (Jenkins 2007, p. 2). Tem

28---se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status. No entanto,

29---defendemos que não se trata de “o inglês aparecendo sempre no lugar certo na hora certa durante

30---esses últimos 400 anos aproximadamente”, como erroneamente defende Crystal (2009). Trata

31---se, obviamente, de intrincadas relações de poder que têm sido construídas e reforçadas ao longo

32---dos últimos séculos, sobretudo a partir de meados do século XVIII, com a _______ do império

33---britânico, e, posteriormente, do império norte-americano e todo o seu poderio militar, econômico

34---e cultural.

35----------O imperialismo linguístico, como afirma Phillipson (2003), é mais uma faceta da dominação

36---socioeconômica e política. Contudo, essa relação entre língua e dominação não pode ser analisada

37---apenas superficialmente, como uma via de mão única ou como causa e efeito, uma vez que não

38---se trata de uma questão meramente linguística. Como salienta Figueredo (2007, p. 32-33), a

39---língua inglesa por si mesma não é a causadora de todas essas questões apontadas como nocivas

40---em meio ao processo de globalização, mas os que fazem uso dela com o intuito negativo de impor

41---seus interesses ideológicos de dominação é que a colocam, muitas vezes, como a propulsora de

42---estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais injustas.

43---Pennycook (2007) amplia essa discussão e defende que a ideia do inglês como língua

44---internacional está ancorada em mitos sobre seu status e seus papéis sociais. O autor assume

45---uma perspectiva barthesiana para explicar a natureza mítica da LI e entende que o mito tem a

46---função de dar uma justificativa natural a uma intenção histórica, fazendo-a parecer eterna,

47---apagando a memória do que um dia foi. Este é “o próprio princípio do mito: transforma a história

48---em natureza” (Barthes, 2001, p. 150), ______ “a causalidade é artificial, falsa, mas consegue,

49---de certo modo, imiscuir-se no domínio da Natureza” (Barthes, 2001, p. 152). O mito purifica a

50---construção intencional, torna-a inocente e natural e confere a ela um status de verdade que não

51---precisa de explicação. Assim, a invenção passa a ser fato. Ndebele (1987, p. 3-4,1 citado por

52----------Pennycook, 2007, p. 90) advoga que “o próprio conceito de uma língua internacional, ou mundial,

53---foi uma invenção do imperialismo ocidental”, e “o inglês como uma língua internacional (ILI)

54---foi/tem sido criado, promovido e sustentado para o benefício dos poderes do ocidente, do

55---capitalismo global, do mundo desenvolvido, do centro sobre a periferia, ou da ideologia neoliberal”

56---(Pennycook, 2007, p. 90)

57----------Estamos rodeados, hoje em dia, por inúmeros discursos que repetem constantemente o mito

58---da onipresença do inglês como língua global que conecta o mundo. A LI é vista como um ente

59---natural, presente entre nós de forma espontânea, como parte integrante do espaço geográfico.

60---Essa naturalização da LI faz emergir e reforça um discurso e uma ideologia do contato inevitável

61---e da aprendizagem por osmose, como se a mera exposição ao idioma fosse suficiente para sua

62---aquisição ou, ainda, como se estar exposto fosse igual a tomar parte. Molon (2003), a respeito

63---da premissa vygotskiana de que a significação do mundo se dá pela mediação semiótica, enfatiza

64---que não basta a presença material do elemento linguístico-semiótico para que haja mediação,

65---pois a interação é um processo ativo, e não passivo ou do tipo osmótico. Em relação à perspectiva

66---da aprendizagem osmótica de inglês, Barcelos (1999) argumenta que se trata de uma crença

67---comum entre alunos em formação inicial no curso de Letras, que acreditam que é necessário estar

68---cercados de materiais e informações na LI, como se a exposição ao idioma, e não a atuação ativa

69---na construção de sua própria aprendizagem, garantisse a aquisição.

c

Adaptado de: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/belt/article/view/20197/13592

Considere o período abaixo, retirado do texto, e analise as assertivas que seguem.

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“Tem-se a falsa impressão de que se trata de mero acaso o inglês gozar desse status”.

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I. O período possui três orações.

II. ‘de que se trata de mero acaso’ é classificada como oração subordinada substantiva predicativa.

III. A oração principal é ‘gozar desse status’.

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Quais estão corretas?


A

Apenas I.


B

Apenas III.


C

Apenas I e II.


D

Apenas I e III.


E

I, II e III.