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Soneto de separaçãoVinicius de MoraesDe repente do riso...

Soneto de separação


Vinicius de Moraes


De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.


De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.


Disponível em: <https://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/soneto-deseparacao>. Acesso em: 10. dez. 2022.


Do ponto de vista semântico, o autor utiliza, no decorrer do texto, um importante jogo de linguagem que encerra um paradoxo no poema. Esse efeito é marcado pela predominância do recurso de linguagem chamado de


A

ambiguidade.


B

homonímia.


C

polissemia.


D

antonímia.


E

sinonímia.