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Na linha 33, o emprego de uma vírgula após o vocábulo “pai”...

Texto para os itens de 1 a 16.


1 ____ Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava

cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela

última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro

4 escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem

algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê

que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha

7 acabado como acabou.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver,

disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver.

10 O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê

não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você

vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos

13 cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade.

O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta.

16 Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu

caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de

um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall

19 do prédio do seu escritório. Lá estava sempre,

pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às

vezes lhe passava um recado ou uma correspondência.

22 Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia?

Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser

25 notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar

estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também

que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos

28 e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente,

coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos

31 atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é

capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê.

Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu

34 a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se

gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no

coração o monstro da indiferença.


Otto Lara Resende. Vista Cansada.

Internet: <www.universodosleitores.com> (com adaptações).


Considerando os aspectos linguísticos e as ideias do texto, julgue os itens de 1 a 13.

Na linha 33, o emprego de uma vírgula após o vocábulo “pai” justificar-se-ia por separar a oração “que nunca viu o próprio filho”, que é adjetiva explicativa.


C

Certo


E

Errado